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Compulsão por doces é desafio para as mulheres

Problema recorrente entre mulheres, a compulsão por doces ganha mais força durante o isolamento social

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Os doces são quase que uma unanimidade nos paladares em geral. Entretanto, se ingeridos de forma exagerada, eles podem ser prejudiciais à saúde. E muitas vezes esse consumo exacerbado pode ser patológico, caracterizando a compulsão alimentar, que é a tendência a ingerir em excesso um ou mais tipos de alimento num curto espaço de tempo e de forma muito rápida, sem necessidade de fome envolvida, mas pela vontade de comer.

Segundo a psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Estácio/RS, Márcia Rejane Semensato, no quadro de compulsão, a vontade de comer não é saciada até ingerir aquele alimento específico, como no caso de chocolates e doces em geral ou também comidas processadas ou junk food, que são as preferências nessas situações. É possível que muitas pessoas tenham algum ou alguns episódios nos quais fazem ingestão excessiva, principalmente de alimentos ricos em gordura e açúcar, como é o caso chocolate. 

No caso de doces, de acordo com Márcia, a compulsão tem uma prevalência maior em mulheres, mas também pode atingir número significativo de homens.  “A ingestão de carboidratos de forma excessiva em um curto espaço de tempo é comum também em casos de bulimia, em mulheres que sofrem de TPM e em algumas desordens afetivas, pois algumas emoções são muito envolvidas nos episódios de compulsão alimentar, principalmente quando a alimentação fica representando de forma muito forte com o prazer”, explica a psicóloga. “Há também algumas vezes problemas de desequilíbrio em alguns hormônios, como no caso da serotonina”, complementa.

Mas como saber se minha vontade por doces está virando compulsão? Segundo Márcia, precisamos estar atentos aos sinais. “Caso pessoa tenha esse forte desejo de ingerir esses alimentos e o faça repetidamente, mesmo sem fome, de forma a ingerir bastante quantidade e em um período rápido, isso é um sinal possível de compulsão alimentar”, alerta. Ainda segundo a profissional, é bastante frequente a associação da doença com a presença de sintomas depressivos e de ansiedade. “Além disso, após esses episódios é bastante frequente que pessoa tenha sentimentos de vergonha, de culpa, de tristeza, e de falta de controle. Isso tende a reforçar o ciclo típico da adição. Casos de compulsão alimentar tendem a se repetir ao longo da vida, acarretando vários prejuízos na saúde física e emocional e, por este motivo, é importante buscar avaliação e auxílio de um profissional”, recomenda Márcia.

Como prevenir e evitar a compulsão

Márcia alerta que, como há episódios de natureza compulsiva, é importante que a pessoa fique atenta quando tiver essa vontade urgente de comer, a que tipo de sentimento está tendo. “Se dar conta do que sente naquele momento é uma boa forma de começar a reconhecer o que leva ela àquele episódio.  Reconhecer o que é a sensação de fome também é muito importante, pois muitas vezes isso passa a ficar confuso: a vontade confunde-se com fome”, explica. “Ingerir alimentos ricos em fibra e bastante água auxilia também nesse processo, bem como a atividade física, que pode auxiliar a evitar essa sensação urgente e os sentimentos pesarosos ligados a ela, tanto os que antecedem quanto os que experimenta depois de comer compulsivamente”, recomenda a psicóloga. 

Outra alternativa é a busca por alimentos que ajudam a saciar a vontade de comer doces. A nutricionista e docente do Senac Santa Maria, Cláudia Winter, nos ajuda com algumas dicas:

- Banana com canela 

- Maçã com canela 

- Tâmara

- Damasco

- Amendoim

- Creme de abacate

“A banana é rica em triptofano, também chamado hormônio da felicidade. Assim como as castanhas, laticínios, ovos e peixes. O cacau também está nesta família, por isso, o chocolate 70% cacau também é recomendado nessa situação”, indica a profissional. 

 


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