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Coronavírus: Brasileira enfrenta o fim da quarentena na China

Após dois meses de quarentena, o país está restabelecendo a normalidade

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Enquanto estamos iniciando o período de isolamento social para conter a disseminação do Covid-19 no Brasil, a China já está encerrando esse momento. O país foi o primeiro infectado pelo vírus e agora, após dois meses de quarentena, a vida está voltando ao normal no país. De acordo com decreto do governo chinês escolas e estabelecimentos comerciais podem voltar a funcionar normalmente. A brasileira Vera Sacon mora no país há aproximadamente 3 anos e nos contou como foi viver essa experiência.

Em 2020, o ano novo chinês foi comemorado a partir do dia 25  janeiro até 1 de fevereiro. Esse é um dos períodos mais agitados para o turismo chinês no ano. As pessoas vão ao país para conhecer a celebração e os habitantes costumam visitar suas famílias em diferentes regiões. Na semana anterior as comemorações, Vera estava viajando a turismo para a Tailândia. Voltando para a província de Hainan, onde reside atualmente, o susto foi grande com os procedimentos para garantir que estava bem de saúde. "No trajeto, foram duas paradas na estrada para medir a temperatura com policiais. Perguntaram o que eu estava fazendo, onde estava, porque estava com motorista. Eu já fiquei pensando: 'a coisa aqui não está fácil'", ela lembra.

Ao chegar ao apart-hotel que mora, Vera foi avisada que não poderia sair por 14 dias. O serviço de limpeza do apartamento não seria realizado nesse período e todas as suas refeições seriam levadas até sua porta. “Eu achava que como não estava vindo de um local que estava passando pela epidemia não precisaria ficar isolada, mas essa era uma medida da ilha e também da empresa. Meu primeiro sentimento foi o medo”, conta. Ela decidiu encarar esse momento como um desafio pessoal. Aos 60 anos, mora sozinha no país e nunca havia imaginado passar por algo assim.

Nos 14 dias de isolamento, Vera teve que se adaptar à nova realidade trabalhando em casa. Mesmo com uma rotina atarefada no trabalho, o medo ainda aparecia. Por isso, ela se voltou a meditações e atividades como aulas de mandarim, leitura e assistir seriados para passar o tempo. Além disso, a solidariedade e os cuidados dos amigos também foram um fator importante para enfrentar essa fase. “Eu nunca me arrependi das escolhas que fiz. Sou muito realista, não sou de chorar pitanga. Se assumi essas escolhas é porque tive um propósito e eu adoro desafios, foi isso que a China me ofereceu. Tentei ver tudo isso de bom”, reflete.

Depois desse período, as atividades estão aos poucos voltando ao normal, porém mantendo o distanciamento social e seguindo todas as medidas de prevenção. Mesmo no trabalho e em supermercados, existe um controle quanto ao estado de saúde da população por aplicativos no celular. Para circular em ambientes coletivos, todos devem ter um selo verde na plataforma, indicando que estão com uma boa. Vera associa essas medidas ao controle rigoroso dos casos no país. Também foram adotadas medidas de suporte financeiro, como remédios, procedimentos gratuitos e redução em tarifas de pedágio, contas de luz e outros.

Além das medidas de higiene e prevenção, o respeito foi uma das atitudes que Vera admirou no povo chinês. Através do uso de máscaras e da proteção pessoal, ela enxergou uma proteção do coletivo. Para os brasileiros, ela indica que o autocuidado e a valorização da vida sejam as prioridades. “A melhor medida é se cuidar e pensar no próximo. O mais importante é a conscientização, a valorização do ser humano e ter respeito. Os resto está sendo feito”, reflete.


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