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Coronavírus: como se proteger nas viagens internacionais

Especialistas esclarecem sobre o contágio da doença e dão dicas para se proteger no exterior

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Com quase 6000 casos confirmados em todo o mundo até o momento, o novo coronavírus já ultrapassa os números da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) entre 2002 e 2003. Existem pelo menos três casos suspeitos no Brasil e a transmissão entre humanos que não visitaram a China foi confirmada no Japão e na Alemanha. Para quem estava com viagens internacionais marcadas, a reavaliação da OMS (Organização Mundial da Saúde) do risco de 'moderado' para 'elevado' é um sinal de cautela.

A família viral Coronaviridae é conhecida desde os anos 1960 e costuma causar problemas respiratórios e gripes em humanos e animais. Por isso, os sintomas da nova cepa são parecidos com os de um resfriado comum. Segundo Alexandre Zavascki, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, as diferenças do novo tipo são uma febre mais alta e complicações que podem levar a pneumonia. 

A transmissão do vírus acontece principalmente pela saliva e contato pessoal com pessoas ou objetos infectados. Em comparação com a epidemia da Sars, o novo coronavírus é menos forte, porém mais contagioso. A Comissão Nacional de Saúde (CNS) chinesa informou que propagação pode acontecer durante o período de incubação do vírus, quando os sintomas ainda não são apresentados.

O Ministério da Saúde do Brasil aconselha que viagens à China sejam adiadas no momento. Quem vai viajar para outros destinos deve ter cuidados principalmente em aeroportos internacionais e áreas com aglomeração de pessoas. "É essencial lavar a mão com frequência, seja com água e sabão ou álcool em gel. A transmissão é feita a partir de gotículas de saliva. Isso pode acontecer por espirros ou tosses e também pela fala. Por isso, é preciso evitar contatos pessoais a menos de 2 metros nessas áreas", destaca Zavascki. 

O uso de máscara é desaconselhado para quem não tem esse costume, de acordo com o infectologista. O acessório pode causar uma sensação de falsa segurança, fazendo as pessoas lavarem menos as mãos. Quem decidir usá-las deve buscar o modelo N95 que protege de aerossóis sólidos, não encostar a mão na boca ou no nariz por baixo da máscara e descartá-la imediatamente após o uso. 

Seguro saúde é fundamental para cobrir as despesas médicas

Até agora, casos de coronavírus foram confirmados em Singapura, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Japão, Malásia, Nepal, Tailândia, Taiwan e Vietnã. Os planos de viagens para esses locais devem incluir um seguro saúde de viagem que cubra custos médicos, além de despesas com acomodação e transferência de vôo. "Sempre aconselhamos que as pessoas busquem um seguro que não tenha reembolso para caso precise utilizá-lo, não ter um gasto a mais. No caso do coronavírus, no caso de qualquer mal-estar, o médico deve ser logo consultado, logo é bom estar assegurado para isso", explica Aldrey Zago, diretora da AZM Câmbio. Ela lembra ainda que, em outros países, não há o equivalente ao SUS, portanto sem ter o seguro, o paciente não é atendido. "A opção é o tratamento particular. Em alguns casos, por exemplo, um procedimento médico pode chegar facilmente a 30 mil dólares - o que é inviável pagar sem o seguro", explica ela.

O Japão foi o segundo destino preferido dos brasileiros na Ásia em 2018. O país foi um dos primeiros a confirmar caso de transmissão entre humanos fora da China. A gaúcha Fernanda da Costa mora no país há 2 anos e percebeu algumas diferenças no seu dia a dia, como mais pessoas usando máscaras nas ruas e orientações do governo quanto a higienização. "Algumas empresas estão permitindo que os funcionários trabalhem de casa ou mudem seus horários de trabalho para evitar as aglomerações nos horários de pico do transporte público", ela conta.

Posso me contaminar com encomendas da internet?

Uma das primeiras dúvidas que surgiram na internet com a epidemia foi sobre os produtos chineses no Brasil. A contaminação de objetos pode acontecer através do contato com a saliva infectada, porém o vírus dificilmente sobreviveria uma viagem longa. "Ainda não sabemos quanto tempo o vírus sobrevive fora da célula, a partir de outros tipos de coronavírus imaginamos que seja apenas algumas horas. Não é provável que sobreviveria uma viagem até o Brasil", explica Zavascki.

por Marina Gil

Marina Gil é apaixonada por arte e cultura em todas as suas expressões. É jornalista e adora moda, vinhos e literatura. @aquammarina


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