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Infertilidade: 40% dos casos tem relação com problemas masculinos

Ao contrário do que se pensa, percentual de problemas para engravidar dos homens é igual ao das mulheres


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Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 15% da população sofre com problemas para engravidar. O número de casos chega a 80 milhões em todo o mundo, sendo 8 milhões apenas no Brasil. Junho é o mês Mundial de Conscientização da Infertilidade, reforçando a importância de uma política educativa em saúde com informação sobre hábitos de vida no que diz respeito a essa questão.

Segundo o chefe do Serviço de Fertilidade e Reprodução Assistida do Hospital Moinhos de Vento, Eduardo Pandolfi Passos, as causas de infertilidade do homem e da mulher são proporcionalmente iguais. “Cerca de 40% dos problemas se apresentam no aparelho reprodutor feminino e estão associados a fatores tuboperitoniais, como obstrução ou alteração nas tubas uterinas, e endometriose. Também, em média, 40% estão associadas a fatores masculinos, com diminuição na quantidade e na qualidade dos espermatozóides”, explica o médico. Além disso, 10% estão associados a fatores hormonais ou à infertilidade sem causa aparente, dos dois, conjuntamente. Para os outros 10% ainda não há evidências.

Mas como saber se estou sofrendo desse problema? 

De acordo com Passos, a chance de um casal “normal” conseguir engravidar é de cerca de 25% em cada mês de tentativa. Esta percentual depende fundamentalmente da idade da mulher. Até os 30 anos ela tem até 35% de probabilidade. Diminui para 25% entre 30 e 40 anos e cai para 10% depois dos 40 anos de idade. “A maioria dos casais consegue engravidar em um ano de tentativa. Sendo assim, os que não conseguiram depois disso devem procurar atendimento especializado. Se considerarmos um casal cuja mulher tenha mais de 35 anos, este tempo deve ser menor, seis meses”, explica. 

A idade da mulher é mesmo um fator determinante - e vem se tornando cada vez mais comum a decisão de postergar a maternidade. A idade média com a qual as mulheres planejam e engravidam do primeiro filho aumentou. “Entretanto, os óvulos apresentam alteração de qualidade com o tempo. A partir dos 35 anos de idade, a chance de obter gestação diminui pelas alterações dos óvulos”, alerta o médico. “Quando uma mulher deseja adiar os planos de ser mãe, é importante que ela saiba que tem a possibilidade de congelar seus óvulos, permitindo que eles mantenham as características da idade na qual foi realizado o procedimento”, complementa. 

Alternativas para os casais que sofrem do problema

A depender da causa da infertilidade, há tratamentos possíveis e mais uma vez, é a idade da mulher que vai orientar o momento de mudar a estratégia proposta, se necessário. “Eles variam desde medicamentos para induzir a ovulação ou aumentar o número e a qualidade espermática até procedimentos de reprodução assistida”, explica Pandolfi. “Há também a alternativa de congelamento de óvulos e a guarda deste material com o sigilo e segurança de monitoramento 24 horas. Por esta técnica, a mulher tem seus ovários estimulados com medicações hormonais, cujo objetivo é fazer com que o ovário libere mais óvulos. Esses óvulos são aspirados dos ovários, utilizando ecografia transvaginal, e congelados para uso futuro”, esclarece. 

O médico ressalta que este método também pode ser utilizado por pacientes em idade reprodutiva com diagnóstico de câncer. “É possível congelar os seus gametas antes do início dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia, que podem levar à infertilidade no futuro”, destaca.

 


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