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Outubro Rosa: 'A cada dia supero o câncer'

Thayana Barros, 36 anos, conta sua história de superação após um câncer de mama e um câncer metastático

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"Me chamo Thayana Barros, tenho 36 anos, e prometo contar uma história diferente de superação.

No dicionário, superar também significa ultrapassar uma situação desagradável. Em pleno Outubro Rosa a gente ouve muitos relatos de cura! Acho maravilhoso que a mídia apoie isso. Assim, acabamos com a ideia de que câncer é sinônimo de morte.

Em dezembro de 2015 fui diagnosticada com câncer na mama esquerda, aos 32 anos. Desconfiei, pois apalpei o seio esquerdo e senti uma “massa” diferente dentro dele. Na ocasião, a médica disse que devido ao fato de ser jovem, provavelmente, poderia ser uma alteração benigna. Por conhecer meu corpo e não me dar por satisfeita com o diagnóstico, pedi exames de imagem que constataram a doença.

Ao longo de 2016, fiz diversos tratamentos para acabar com o câncer: 16 ciclos de quimioterapia, 25 de radioterapia além de mastectomia radical da mama esquerda.

Ahh esse câncer safado! Não me fez parar não! Continuei trabalhando gerenciando a minha empresa de animação de festas, levando felicidade para crianças e famílias e descobrindo a cada dia que o câncer era curável e que aquele tratamento estava prestes a acabar!

Meu filho de 4 anos aprendeu a ver que o câncer é uma dificuldade que pode ser superada. Meu esposo esteve ao meu lado durante todo tratamento, pesquisando tudo que pudesse me proporcionar conforto.

E a minha mãe, sem palavras. Ela já havia visto o câncer de perto ao ver o falecimento da minha avó, quando ela tinha apenas 12 anos. Lembro de ela contar várias vezes o quanto minha avó foi forte, mas o quanto foi dolorosa a sua partida, diante dos escassos recursos da medicina na época (1970). 

Mesmo assim, mesmo com esse medo de magoar a minha mãe sem querer, ela foi forte, segurou a barra e me deu toda força do mundo neste processo.

Lá por 2017, após reconstruir a mama com retalho abdominal e estar com cabelos longos graças ao megahair, eu vivia uma vida quase normal, se não fosse algumas dores ósseas, falta de ar e uma bola que crescia em meu peito.

Os médicos insistiam em dizer que era ansiedade ou algo relacionado a reconstrução. Confiei.

Desde janeiro de 2018 sou diagnosticada com câncer metastático, que acometeu pulmão, fígado, ossos, mediastino. Descobrir que o câncer é crônico e que o tratamento é paliativo não é fácil. Mas é tão bom saber que é possível superar isso e viver bem com qualidade de vida.

Sobre o tempo, ninguém tem o poder de dizer quando vamos partir. Com a doença, surgiu uma força dentro de mim e tudo o que tenho é o agora. Vivo feliz, com a doença estabilizada, sou voluntária de uma ong que trabalha a autoestima de mulheres com câncer e outra que trabalha com a informação para pacientes e familiares que passam pelo câncer.

Tenho o meu trabalho, programo viagens, vou ao hospital uma vez ao mês e classifico esta visita como uma escola.

A cada dia supero o câncer e meu intuito é compartilhar que a superação pode não ser a cura, mas sim a qualidade de vida e a resiliência diante de uma situação desagradável."


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