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Outubro rosa: 'O câncer me ensinou a valorizar a vida'

Fabiana M. Machado, 42 anos, conta como superou o câncer de mama aos 33 anos de idade

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"Meu nome é Fabiana, tenho 42 anos, sou mãe, empresária e moro em Porto Alegre. O câncer é uma doença silenciosa. Muitas vezes, só percebemos quando os sintomas já estão avançados. E a descoberta....nada agradável. Receber a notícia de que você está com uma doença grave, que pode acabar com a sua vida rapidamente, é como se o chão se abrisse na sua frente. Um abismo. Meu tempo acabou?

Foi o que aconteceu comigo, aos 33 anos de idade. Naquele momento em que me deparei com um resultado de um exame dizendo que algo grave estava acontecendo comigo, o tempo parou e eu só pensava:

'Como assim?!'
'Nesta idade?'
'E a vida saudável que eu estava levando até agora, boa alimentação, sem vícios?'
'E os meus filhos, que ainda são crianças (eles estavam apenas com 4 e 6 anos)?'
'E a minha família?'
'E os meus sonhos?'
'E por que comigo?'

Nunca pensei que poderia acontecer comigo… mas aconteceu. E não havia como voltar no tempo. Era preciso olhar adiante.

Hoje, passados quase 10 anos, sei que a idade não importa. Eu não desejo que aconteça novamente, seja em qualquer época da minha vida, mas sei que o tempo da descoberta importa.

Sempre me organizei para consultar minha médica todo ano. Invariavelmente, sempre estive lá. E o nódulo foi descoberto num exame médico de rotina. Em casa, nunca percebi qualquer alteração e, provavelmente, nunca perceberia. Não havia qualquer sintoma. Nem tinha idade recomendada para fazer exame de mamografia. Amamentei meus dois filhos, tinha uma alimentação saudável, etc., parecia tudo estar bem, mas o nódulo estava ali e a biópsia confirmou. A grande vantagem: o estágio era inicial! E, para o câncer, o melhor remédio é o diagnóstico precoce. Enfim, deu tempo…

Iniciei um longo tratamento. Era setembro de 2010. Sessões de quimioterapia e duas cirurgias até a retirada total da mama. Foram 9 longos meses, sem cabelo, sem força, com muitas marcas no corpo e com muita vontade de viver. Foram 5 anos com medicamento controlado para evitar que a doença voltasse. O tempo contava a meu favor. Cada segundo me era favorável. O que aprendi, numa frase dita por Lya Luft: “envelhecer é um privilégio.” O meu maior sonho era fazer 34 anos. A cada ano, a cada aniversário, um agradecimento por estar aqui. Ainda tenho tempo pra comemorar.

A doença me ensinou a valorizar a vida, o tempo e as minhas escolhas, aprendendo e fazendo o que for preciso para amar (principalmente a mim mesma), trabalhar, ajudar, aceitar, acreditar, ensinar, evoluir e, o mais importante, estar sempre viva, em todos os momentos e onde eu estiver. Afinal, a vida, assim como o tempo, não para."

 


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