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Sem vacinação, doenças como o sarampo podem retornar ao Estado

Rio Grande do Sul não cumpre meta de imunização há cinco anos e autoridades estão preocupadas

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O Ministério da Saúde divulgou dados que preocupam os gaúchos: o Rio Grande do Sul não atinge a meta de vacinação da Tríplice Viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) desde 2014. Em 2018, houve um surto de sarampo em 11 estados do país com mais de 10 mil ocorrências do vírus e 12 mortes - a doença havia sido eliminada no Brasil em 2016. E não para por aí: já são 426 casos confirmados até o final mês de julho - e os números só crescem com o primeiro caso de sarampo confirmado no Paraná na última semana. 

O Rio Grande do Sul ainda não teve casos em 2019, mas especialistas alertam que a probabilidade do vírus chegar ao Estado é alta. De acordo com o gerente da unidade de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Porto Alegre e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, uma das principais causas das baixas coberturas de vacinação é a falsa segurança da população em relação às doenças. “Se eu não conheço e nunca vi ninguém com a doença, porque devo vacinar meu filho? Muitas vezes este é o pensamento”, relata. Outro fator é o medo das reações adversas que as vacinas podem causar, o que segundo o especialista, faz com que as pessoas fiquem hesitantes em imunizar a si e aos filhos. “A complexidade do calendário, a falta de capacitação dos funcionários e dificuldades de horários de agendamento nas unidades de saúde também podem ser consideradas algumas das razões das baixas coberturas não só aqui no Estado, mas em todo o País”, acrescenta.

Com a diminuição do número de pessoas vacinadas, o risco da entrada de qualquer doenças, mesmo as eliminadas e controladas, é iminente. Recentemente, a Organização Pan-americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta sobre a rubéola, que a exemplo do sarampo pode retornar ao Brasil, já que as duas são preveníveis com a mesma vacina. De acordo com Cunha, é importante destacar que nestes casos, a saúde individual não deve prevalecer perante à coletiva. “Se tivermos a coletividade vacinada, vamos proteger secundariamente a população que não pode receber a vacina por situações médicas, por exemplo”, explica.

Fenômeno dos “antivacina” é mais uma preocupação

Em abril deste ano, o movimento antivacinação foi incluído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em seu relatório sobre os dez maiores riscos à saúde global. O evento está crescendo no mundo todo e conforme observa Cunha, está atrelado a outro fator comum atualmente: as fake news. “As notícias falsas contribuem muito para este tipo de fenômeno. Rodam por todas as mídias sociais e é difícil que os profissionais estejam nesses grupos, então por vezes nem ficamos sabendo do que está circulando”, relata. “Tivemos uma luta muito grande para eliminar o sarampo, por exemplo. Porém, observamos um retorno muito rápido de doenças que levamos décadas para eliminar. E, se elas foram controladas ou eliminadas, foi graças a vacinas seguras e eficazes que são oferecidas gratuitamente na rede pública”, altera o especialista.

O caminho para a mudança no cenário é um só: a informação correta. “Queremos estimular as pessoas para que vacinem a si seus filhos e mais do que isso, se informem de uma maneira correta através de sociedades científicas e do Ministério da Saúde, para assim ter uma conhecimento de qualidade e fiel”, conclui o profissional.

 


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