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Ana Timm

Tomara-que-caia: Quais são os termos misóginos da moda?

Ana Timm fala sobre campanha contra o termo “tomara-que-caia” e debate o uso de expressões machistas no meio fashion

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Recentemente a polêmica sobre alguns termos utilizados na indústria do vestuário reacendeu: a Cia Hering lançou uma campanha pelo fim da expressão “tomara-que-caia”, tendo como garota-propaganda a atriz Mariana Ximenes. Fotografada para a capa da Harper’s Bazaar Brasil usando a peça de roupa e com a seguinte legenda: “Tomara que caia o sexismo. Vista uma blusa sem alça”; a atriz afirma que: “com maior orgulho, eu aceitei o convite para falar de respeito à mulher. A partir de agora, vamos pensar em todos esses termos machistas e sexistas”. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Popularizado pelo filme Gilda (1946) o modelo destacava as curvas da atriz Rita Hayworth deixando o colo nu, despertando os mais recônditos desejos masculinos.

Alguns podem dizer que é bobagem e que devemos nos preocupar com pautas mais relevantes no meio, mas o fato é que a discussão traz à luz o machismo arraigado em nossa sociedade, e a importância de refletirmos sobre estas questões. Em tempos de discussões sobre “merecer” sofrer abusos e ser estuprada pela roupa que veste, o debate me parece bastante profícuo e necessário.

O vocabulário da moda americana, por exemplo, designa as regatas brancas masculinas como wife beater (espancador de esposa). Por aqui, são utilizadas terminologias como “regata machão” ou “mamãe tô forte”. 


Marlon Brando no filme “Um bonde chamado desejo”, filme de 1951 em que interpretava um marido abusivo, vestindo a “wife beater”.

A expressão baby doll também é carregada de simbologias. Cunhado a partir do filme de mesmo nome, o vocábulo infantiliza e objetifica as mulheres que o vestem, além de ser BEM PROBLEMÁTICO se pensarmos sobre a erotização precoce das meninas em nossa sociedade.


Baby Doll, filme de 1956 em que a atriz Caroll Baker interpreta uma personagem eroticamente infantil

A tão querida calça “boyfriend”, apesar de possibilitar mais liberdade aos movimentos e marcar menos as curvas do corpo, traz em si ideais misóginos e de propriedade sobre os corpos femininos.


Marilyn Monroe veste jeans mais “larguinhos” em princípios da década de 1950.

Portanto, sigamos sempre questionando. A Moda e a sociedade podem e devem mudar. Tomara que caia não só o sexismo, mas também o racismo, a misoginia, o fascismo, a xenofobia...

por Ana Timm

Ana Luiza Timm Soares é designer de moda e mestre (Jedi) em História. É professora, apaixonada por comida e ainda mais pelos lambeijos de sua cachorra Batatinha. Escreve semanalmente sobre moda e seus aspectos histórico, social e filosófico mas sempre mantendo um pé na passarela. @anatim_m


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