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Arieli Groff

Obediência x boas escolhas

Você está plantando o que deseja colher?

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O quanto ainda se privilegia e se demonstra contentamento com crianças que se mostram obedientes ao que é esperado delas, seja por parte dos pais, professores e demais cuidadores. Muito ouvi na minha infância frases como, “é muito bem comportada, nem parece que tem criança em casa”, “é um amor de criança, não dá trabalho nenhum”, “é muito obediente, uma bonequinha”. 

A obediência coloca a criança em um lugar passivo, pressupõe submissão e exerce uma relação intrínseca de poder; “manda quem pode, obedece quem tem juízo” asseguro com certa tranquilidade ser mais uma frase que você em algum momento já ouviu. 

Desejar que nossos filhos sejam obedientes, é criar a expectativas de que eles existam para satisfazer nossas idealizações, no entanto, os filhos que sonhamos, nunca nasceram. Educar uma criança precisa estar mais alinhado com curiosidade, aceitação e empatia do que com a busca por acertos e pela perfeição, seja nossa ou dos nossos filhos. Não devemos ter como meta a extinção daquilo que não gostamos neles, mas sim, auxiliá-los a lidarem com todas as partes de si, desde as que admiramos como aquelas que nossa língua está pagando por tudo que dissemos que um filho nosso não seria/faria, antes de sermos mães. 

Cabe aqui ressaltar que aceitação nada tem a ver com comodismo ou permissividade, mas sim, sobre não travarmos batalhas com a realidade. Comodismo é inércia. Aceitação é escolha ativa, é respeito pelas potencialidades individuais de cada criança. 

Imagino que todas nós, ou a mesmo a grande maioria, deseja que os filhos sejam adultos com capacidade de fazerem boas escolhas, cuidar de si, ter responsabilidades e ser adequadamente funcional. Mas como irão desenvolver tais habilidades se não forem ensinados a escolher por conta própria, se precisam seguir a cartilha do bom comportamento sem a chance de viverem sua autonomia? 

Se queremos colher limões, não podemos plantar bananeiras.

A forma como lidamos com a individualidade da criança, o tanto que a respeitamos e oportunizamos espaços para expressarem suas opiniões, sentimentos e acolhemos suas atitudes com afeto e empatia, influencia diretamente na construção da sua confiança e autoestima, as quais irão ecoar por toda a vida. Nada parece mais incoerente e incompatível com a segurança em si mesmo do que a necessidade de ser e fazer somente aquilo que os outros esperam. 

Mas afinal, quem seu filho é sem a sua expectativa?

por Arieli Groff

Arieli Groff é mãe da Maitê e psicóloga, especializada em Luto Adulto e Infantil e Teoria do Apego. Idealizadora do Instituto Pirilampos voltado para maternidade e infância. Escreve sobre maternidade e infância todas as semanas aqui no Bella Mais.


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