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Arieli Groff

Pela desromantização da maternidade

Romantizar momentos por vezes difíceis da maternidade é um desserviço

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Não! Definitivamente quando nasce uma criança não nasce uma mãe. Quando uma criança chega ao mundo o que nasce é uma mulher cheia de medos, dúvidas, receios e culpa sem ainda sequer saber muito bem pelo que...

Não! Quando nasce uma menina o mundo não fica cor de rosa, ele pode por vezes oscilar entre tons de cinza e preto, com alguns pontinhos rosa.

Não! Quando nasce uma criança não se sente um amor incondicional instantâneo. É possível presenciar algo nunca vivenciado antes, algo forte, é verdade. Mas é um sentimento que ainda vai ser transformado, fortalecido e seguir sendo construído ao longo dos dias.

Não! Quando nasce uma criança os dias não são somente repletos de amor. Eles podem, sim, ser permeados de raiva, cansaço, ansiedade, frustração e com muitas pitadas de afeto.

Quando nasce uma criança, nasce uma mulher cheia de insegurança na mesma proporção da coragem e ousadia para oferecer seu melhor possível. Nasce uma mulher impulsionada a deixar de ser quem foi até então para se tornar mãe, em um processo contínuo e eterno. Porque ser mãe é uma permanente construção.

Quando nasce uma criança, nasce uma mulher disposta a não passar adiante uma criação repleta de medos e limitações. Nasce uma mulher com a força de uma leoa para ensinar a alguém que ela pode ser o que quiser, e que ela é potente na sua essência.

Quando nasce uma criança, nasce uma mulher que vai descobrindo que é capaz de amar alguém mais do que a si mesma. Nasce uma mulher que abdica de quem foi até então e entregue para construir esse amor dia após dia.

Quando nasce uma criança, nasce dentro de nós mulheres uma nova identidade, ainda desconhecida, ainda aterrorizadora, ainda inexplicável. Nasce dentro de nós, mulheres, um constante vir a ser, porque quando entendemos quem somos, já́ somos outra, mais uma vez.

por Arieli Groff

Arieli Groff é mãe da Maitê e psicóloga, especializada em Luto Adulto e Infantil e Teoria do Apego. Idealizadora do Instituto Pirilampos voltado para maternidade e infância. autora e organizadora dos livros “Quando uma mãe nasce”, “Que medo é esse?” e “Toda mãe tem histórias para contar”.


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