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Arieli Groff

Quando as filhas se tornam mães

Transformar-se em uma "filha-mãe", muda tudo para sempre!

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Não lembro de ter sentido uma explosão tão grande de gratidão e amor como no momento em que minha filha nasceu e durante as horas que se seguiram.

Ficava apenas olhando para ela, como se o tempo tivesse parado só para eu viver aquele amor. E meu marido junto. Dois bobos que se revezavam em escala de sono para ter sempre um dos dois acordados em vigia para garantir que ela respirava. Ah, os pais de primeira viagem...

Eu sentia gratidão por tudo que estava vivendo, pela família que se formava em suas primeiras horas de existência e pela entrega do meu marido. Por alguns momentos, no entanto, outro sentimento me invadiu. Veio como uma necessidade urgente e da alma: a de querer a minha mãe por perto. A de querer ao meu lado a força de outro ventre, a sensibilidade de outra mulher, o toque e o cuidado de outra mãe, da minha mãe.

Meu marido percebia, mas não entendia. Meu marido observava, mas não sentia. Porque, simplesmente, tem coisas que foram destinadas a nós mulheres. O parto transforma uma mulher em uma leoa que descobre sua máxima força, o parir transforma uma filha em mãe. E isso muda tudo. Para sempre.

Segue-se sendo filha. Mas não mais a mesma filha. Segue-se sendo filha, mas uma filha mãe. Uma filha que olha para sua mãe como nunca antes. Que percebe nela as marcas de todas as renúncias, de todas as não escolhas feitas, de acúmulo dos sonos não dormidos, dos projetos deixados de lado, das roupas não compradas, das festas não aproveitadas, do choro não chorado e do amor ensinado.

A filha olha para a mãe e, em um segundo, entende tudo. Entende o que nunca foi dito, o que nunca foi falado, o que sempre foi vivido. 

Não lembro de ter sentido uma explosão tão grande de gratidão e amor...

por Arieli Groff

Arieli Groff é mãe da Maitê e psicóloga, especializada em Luto Adulto e Infantil e Teoria do Apego. Idealizadora do Instituto Pirilampos voltado para maternidade e infância. autora e organizadora dos livros “Quando uma mãe nasce”, “Que medo é esse?” e “Toda mãe tem histórias para contar”.


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