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Arieli Groff

Ser mãe é fazer travessias

A fusão emocional e o aventurar-se nessa caminhada

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Ah! Esse período logo após o nascimento em que o bebê vê a ele e a mãe como um ser só. E a mãe também, pois ficamos sem saber mais nem quem se é “na fila do pão”. No qual não sabemos em que ponto começa o nosso querer e o do nosso bebê, onde desejos e necessidades se confundem. No qual nossas prioridades mudam radicalmente e facilmente deixamos nossos desejos de lado em prol do nosso pequeno grande ser.

Esse período de tão intensas transformações, mudanças repentinas e desconexão com nossa identidade até então conhecida tem nome: FUSÃO EMOCIONAL.

A fusão emocional compreende o período entre o nascimento até os 2-3 anos do bebê, quando a mãe é uma extensão do bebê e o bebê uma extensão da mãe, física e emocionalmente. No qual o campo das emoções é compartilhado. Afinal, que mãe nunca sentiu antes do bebê começar a chorar que algo não ia bem? Ou que bebê já não chorou mais intensamente ou ficou mais inquieto em um momento de ansiedade e angústia da mãe?

Mas oh, nada de culpa! A fusão emocional é um processo natural que existe para garantir a sobrevivência dos bebês humanos, os mamíferos mais dependentes ao nascer. Nesse período a mãe tem uma oportunidade de colocar luz e consciência sobre questões ainda inconscientes, mas que, com o nascimento de um filho, ganham uma lente de aumento e ficam mais evidentes.

O que fazer com isso? É uma escolha. Pode-se olhar para isso, curar as feridas da sua criança interior e oferecer uma relação mais autêntica para nossos filhos. Ou pode-se seguir em um piloto automático repetindo padrões que muitas vezes já não têm mais sentido em nosso jeito de ser ou de querer ser como mãe.

É sempre uma escolha. O que não escolhemos é o fato de nossos filhos serem um portal para nossa própria transformação pessoal.

Cabe a nós escolhermos fazer a travessia e de que forma. Sempre com muita gentileza e afeto consigo mesma, afinal estamos todas nos aventurando nessa caminhada da maternidade oferecendo nosso melhor possível a cada momento.

por Arieli Groff

Arieli Groff é mãe da Maitê e psicóloga, especializada em Luto Adulto e Infantil e Teoria do Apego. Idealizadora do Instituto Pirilampos voltado para maternidade e infância. autora e organizadora dos livros “Quando uma mãe nasce”, “Que medo é esse?” e “Toda mãe tem histórias para contar”.


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