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Camila Saccomori

Aprendizados gastronômicos de uma mãe durante a pandemia

Nossa colunista Camila Saccomori conta que está aproveitando o período de isolamento social para se aventurar na cozinha


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Quando eu morrer, aos 100 anos, alguém vai escrever no meu obituário: "Camila Saccomori, jornalista, Porto Alegre, 41 anos, aprendeu a cozinhar durante a pandemia do coronavírus no ano de 2020, que obrigou as pessoas a ficarem isoladas em casa".

Assim como muitas pessoas crescem sem ter aprendido coisas teoricamente "óbvias" como andar de bicicleta ou nadar, eu cresci sem saber cozinhar. Sempre gostei de comer bem, mas nunca realmente precisei mexer nas panelas. Com escolas sem aula e restaurantes fechados, me vi diante da necessidade de fazer comida decente para mim e para minha filha Pietra, 9 anos. 

Até sair para morar sozinha, aos 18 anos, eu mal sabia fazer meu próprio Nescau! Minha mãe trabalhava fora e sempre tinha funcionária para fazer as refeições (e para arrumar a casa, mas faxina é outro capítulo). Evoluí para o arroz-com-ovo e miojo na faculdade, onde me graduei em telentrega e congelados industrializados com louvor. Todo mundo já jantou pão de queijo aos 20 anos e sobreviveu, né?

O nascimento da Pietra, quando eu tinha 32, me levou a prestar um pouco mais de atenção na disciplina Cozinha, mas eu sempre rodava por faltas. Almoçava no refeitório da empresa ou na rua enquanto fazia especialização em Lanches Rápidos para as noites em casa. 

No ano passado, fiz um curso de extensão em Churrasco com meu pai, cansado do meu #mimimi. Eu reclamava que a churrasqueira abandonada aos domingos era a única desvantagem de estar solteira. Modéstia à parte, faço um galeto melhor do que o ex. Abafa o caso! 
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Daí veio o tal de covid19 e tudo isso que estamos vivendo até vá saber quando. Não uso apps de delivery (apesar dos anúncios do YouTube tentarem a cada vídeo). Quem tem acesso a internet pode aprender qualquer coisa hoje em dia. De modo que minha pós-graduação em Cozinha Pandêmica está sendo feita em EAD: google, instagram e whatsapp me ensinam o que preciso.

Já queimei bastante coisa, já errei o ponto de outras tantas, já falhei no tempero. Mas não desisto. Tenho uma lista de receitas ainda para treinar nas próximas semanas para conseguir meu certificado. Se eu me organizar direitinho na compra dos ingredientes, vou conseguir. Entendi que o tal do cozinhar, para alguns, é talento nato. Para outros, praticantes tardios como eu, dá para correr atrás com muita prática.

Um prato está de fora do conteúdo programático do meu curso autodidata: feijão. Pois a minha mãe também vai viver até os 100 anos e até lá continuará sendo a fornecedora oficial de feijão congelado para esta filha (prometo que devolvo todos os potes quando terminar o isolamento, mãe!!).

por Camila Saccomori

Camila Saccomori é mãe da Pietra e jornalista especializada em Primeira Infância. Escreve conteúdos para famílias no projeto @vamoscriar. A cada 15 dias, compartilha no Bella+ dicas para criação de filhos e temas contemporâneos da parentalidade.


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