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Camila Saccomori

Como falar sobre coronavírus com as crianças

Camila Saccomori dá dicas para conversar sobre o COVID-19 com seus filhos

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Circula pela internet um daqueles memes que fazem a gente rir de nervoso (brasileiro é mesmo muito criativo). A menina pergunta: "Mãe, se eu pegar coronavírus preciso ir na escola?" A mãe responde: "Não precisa, minha filha". O gif segue com a criança lambendo o corrimão.

Brincadeiras à parte, estamos diante do fato de que nossos filhos já tomaram ciência de que tem algo diferente no ar - literalmente. Seja ouvindo sem querer as notícias do telejornal ou por comentários entre os adultos nas refeições, os pequenos sabem pronunciar "coronavírus" direitinho e entenderam que os pais e as mães andam preocupados.

Abordar o assunto de uma forma lúdica é possível. Na quinta-feira, um post da psicóloga infantil Manuela Molina viralizou (perdão). Ela divulgou em seu perfil do Instagram, @mindheart.kids, um e-book colorido e informativo para as famílias contarem às crianças tudo sobre o coronavírus.

Está disponível em três línguas - português, espanhol e inglês - e merece sua atenção. Ali, o "monstrinho" conta aos pequenos que é primo da gripe e do resfriado, que gosta de viajar e pular nas mãos das pessoas para cumprimentar. "Quando venho de visita trago falta de ar, febre e tosse".

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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O importante é dizer às crianças que os adultos vão tomar conta delas. Que vai ficar tudo bem!

Minha filha faz aniversário daqui a duas semanas. Estava há dois meses sonhando com a viagem que faríamos juntas. Cancelei, comuniquei e ela entendeu.

Passei os últimos dias lendo perguntas em grupos de mães no WhatsApp e nas contas de redes sociais que administro. Aqui, levei algumas destas questões para a pediatra Ludmila Schatschneider, da Nasce Saúde, orientar as famílias que estão com dúvidas. Lembrando que cautela e bom senso são a grande pedida para as próximas semanas, sem exageros.

Como proteger os bebês?

Recomendações aos adultos em contato com bebês: evitar beijos, abraços, lavar as mãos, usar álcool gel, não compartilhar objetos de uso pessoal... Os pais devem proibir o contato do bebê com pessoas que apresentem sintomas.

Álcool gel na mão de crianças a partir de quantos anos? 

O ideal é usar a partir de 3 anos por causa da mão na boca. As crianças menores acabam colocando muito a mão na boca. E sempre com a supervisão de um adulto! Abaixo de 3 aninhos sempre priorizar lavar bem as mãos dos bebês. 

Meu filho está na fase de colocar tudo na boca... Alguma dica?

Higienizar os brinquedos com água e sabão, repetidas vezes. E não permitir o compartilhamento de brinquedos entre as crianças, para evitar a disseminação de outros vírus também.

Devo levar meu filho na creche ou na escola?

As escolas seguem em funcionamento, a não ser que o Ministério da Saúde faça uma recomendação diferente nos próximos dias. Ao menor sintoma de gripe não enviar para as atividades escolares. É claro que, se for possível, deixar as crianças menores em casa neste primeiro momento não é má ideia.

E na festinha na casa de festas? Aniversário infantil só mesmo com poucos convidados?

Entendo que as crianças esperam muito por sua festinha de aniversário, mas vale sempre a regra do bom senso e a decisão de cada família. Ninguém com sintoma ou que não esteja se sentindo bem vá a uma festa infantil (mesmo que sejam poucos convidados), pois se tiver um único gripado, já pode transmitir para os outros. 

por Camila Saccomori

Camila Saccomori é mãe da Pietra e jornalista especializada em Primeira Infância. Escreve conteúdos para famílias no projeto @vamoscriar. A cada 15 dias, compartilha no Bella+ dicas para criação de filhos e temas contemporâneos da parentalidade.


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