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Camila Saccomori

Grupos de mães no WhatsApp: apoio e futrica, amor e ódio

Camila Saccomori conta que, hoje, qualquer míni acontecimento vira barulho digital

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"João chegou esfomeado em casa hoje da escolinha. Será que deram sopa na janta de novo? Já falei que ele não gosta!"
"Alguém pode fotografar o tema de hoje e postar aqui no grupo para eu imprimir? Juju não copiou do quadro."
"A professora estava online em horário de aula. Vou falar na coordenação, pois ela não devia usar o celular quando está com a turma."

Estas e outras situações são absolutamente todas reais. Ocorrem com menor ou maior frequência em um ambiente controverso: os chamados "grupos de mães" no WhatsApp. Sim, só de mães, pois, em muitos casos, os pais ficam de fora.

Se antes era no pátio ou na porta da escola que as famílias trocavam figurinhas com as outras, agora qualquer míni acontecimento vira um barulho digital.

Fiz uma enquete sobre o assunto na semana passada no Stories do Instagram. Você gosta de participar de grupos de mães no Whats? Resultado: 34% sim, 66% não. Pedi depoimentos e comentários anônimos. Teve a história bonita de uma grande amizade entre mulheres que começou nas janelinhas do celular, derivada do contato das filhas. Teve a história feia de mães apontando dedos porque os filhos estavam na fase das mordidas e a situação descambou para o lado pessoal.

Prós desse tipo de grupo: muitas mães se sentem felizes, abraçadas, acolhidas. É um espaço de troca importante. "Estou em dois grupos, meus filhos são de escolas diferentes e encontro ali uma boa rede de apoio", escreveu a mãe de dois meninos.

Contras: rola muita futrica, informações que não agregam. "Perdem o foco, tem muito mimimi", opinou a mãe de um bebê de dois anos.

A culpa não é da tecnologia

Como tudo na vida contemporânea, a culpa não é da tecnologia, e sim do uso que se faz dela. Precisamos nos esforçar em usar o potencial positivo das ferramentas. Assim como você, também resolvo boa parte da minha vida prática e profissional pelo WhatsApp em contatos com clientes e parceiros. Amo grupos (de verdade!), amo falar com pessoas e me abasteço de ideias e novidades.


É tão bacana quando na véspera de levar o lanche coletivo uma das mães manda uma mensagem lembrando. Quando alguém compartilha o aviso de datas da campanha da vacinação. Quando fazem repasse de uniformes que não servem mais. Quando é férias, as crianças estão com saudades e querem se ver no fim de semana.

Não é bacana quando assuntos privados viram debate público. E as reclamações sobre condutas alheias são mais indicadas de serem resolvidas em outro cenário, aquele do olho no olho, não o virtual.

Palavrinha que está na moda e que deveria ir além da definição teórica do dicionário é a tal da empatia. Outro conceito também que podemos colocar em prática é o tal do bom senso. Organizando direitinho, todo mundo consegue participar! E aí ninguém vai reclamar (muito) se de vez em quando entrar uma corrente prevendo azar a quem não repassar.   

por Camila Saccomori

Camila Saccomori é mãe da Pietra e jornalista especializada em Primeira Infância. Escreve conteúdos para famílias no projeto @vamoscriar. A cada 15 dias, compartilha no Bella+ dicas para criação de filhos e temas contemporâneos da parentalidade.


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