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Camila Saccomori

Hora de falar sobre outra pandemia: obesidade infantil

Informações de impacto para quem precisa de um choque para mudar a alimentação das crianças


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Vivemos uma pandemia dentro da pandemia. Se a obesidade infantil já estava em altos índices antes da chegada do isolamento social, agora que já são meses sem aulas a situação está ainda mais preocupante.  A obesidade infantil aumentou 10 vezes nas últimas quatro décadas e deve ultrapassar a desnutrição até 2022.
 
Não falamos só do sedentarismo, mas principalmente por causa da alimentação de toda a família. Obesidade é a maior epidemia infantil da história: como se não bastasse o coronavírus para nos preocupar, este é um dos mais desafiadores problemas de saúde pública do século 21. E adivinha quem pode ajudar a mudar este cenário? Acertou quem respondeu "nós mesmos". Os pais. Afinal não é a criança que vai ao supermercado e compra quilos de alimentos ultraprocessados.
 
Há dois vídeos importantes para quem quer se conscientizar sobre a gravidade do problema.
O primeiro é um famoso TED do chef JAMIE OLIVER que defende o movimento da comida de verdade de volta às famílias. O título é: ensine alimentação a todas as crianças. O cara é bem enfático em sua apresentação. Uma das cenas que mais nos impacta é quando ele vai até a casa de uma mãe que só vive de tele-entrega de fast food e diz - "Isso vai matar seus filhos antes do tempo". E a mulher concorda. Dói.
 
 
O segundo é o documentário MUITO ALÉM DO PESO, disponível no YouTube (gratuito) e no Amazon Prime. Feito em 2012 pela diretora Estela Renner com patrocínio do Instituto Alana, segue muito atual. 

 
Sabemos que é muito barato comprar sacos de salgadinhos e sucos artificiais do que frutas, verduras e legumes. É um impasse do mundo contemporâneo, mas esta é uma das prioridades que deveríamos cuidar se temos crianças em casa. Não dá mais para tapar o sol com a peneira - ouço relatos de muitas famílias que estão dispostas a mudar seus hábitos para evitar mais problemas futuros.
 
Você sabia que mais da metade das crianças brasileiras toma refrigerante com menos de 1 ano de idade? É uma informação chocante (e colocam até na mamadeira dos bebês). Sem falar nas más influências da publicidade infantil. O marketing direcionado para crianças faz muitas artimanhas para estimular a compra de tudo quanto é porcaria. Não apenas colocam personagens queridinhos nas embalagens como também usam palavras que sugerem que o produto é saudável.
 
Eu e você somos da geração anos 80/90 que realmente achava que danoninho valia por um bifinho, que farinha láctea era nutritiva, que suco de pacotinho trazia nutrientes da fruta. Comer hambúrguer na maior rede de fast food é saudável, afinal é pão com carne e ainda vem 1 folha de alface e uns pepinos picadinhos!⠀⠀⠀⠀
 
Crianças com obesidade geralmente têm outras comorbidades: hipertensão, diabetes... São meninos e meninas que não conseguem jogar bola porque cansam rapidamente. São crianças que temem sofrer chacota se levarem banana ou maçã no recreio na escola (não deveria ser o contrário?). São crianças que não sabem diferenciar um melão de um mamão. 
Um jeito simples de começar essa transformação: levar os filhos para a cozinha não só quando o prato está pronto e servido. Falar sobre o assunto, explicar porque vamos fazer um bolo caseiro em vez de comprar aquele empacotado pronto do mercado ou da Turma da Mônica. Olha a data de validade daquele negócio! Nem fungo se interessa pelo "alimento" de tanto conservante que tem. Faça o teste na sua casa e me conte! Não vai mofar. Comida de verdade mofa. Vamos ensinar isso para nossas crianças?
por Camila Saccomori

Camila Saccomori é mãe da Pietra e jornalista especializada em Primeira Infância. Escreve conteúdos para famílias no projeto @vamoscriar. A cada 15 dias, compartilha no Bella+ dicas para criação de filhos e temas contemporâneos da parentalidade.


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