capa
Camila Saccomori

Precisamos ensinar as crianças a lidar com dinheiro desde cedo: veja dicas práticas

Chegou a hora de descomplicar o assunto “educação financeira”! Pais e mães podem ajudar os filhos a serem adultos mais prósperos e sem dívidas

publicidade

Vai chegar o dia em que você irá sentar com seu filho, abrir um livro de Economia e apresentar o sistema bancário e a diferença entre passar no débito ou crédito. Mentira: esse dia nunca vai chegar! Educação financeira é disciplina que se ensina na prática, na relação entre pais e filhos no dia a dia. E quanto mais cedo se começa, melhor. Mesmo crianças de 3 anos são capazes de entender diversos conceitos.

Falar de dinheiro não deveria ser tabu! E quando a gente vira pai e mãe, começa a olhar para o próprio consumo de outro jeito. Participei de um bate-papo com a economista Patrícia Palermo sobre o tema "Educar Desde Cedo Para a Prosperidade", promovido pela Unicred-RS, e saí com novos insights para compartilhar.

A Patrícia é mãe da Vitória, de 9 anos, e usa muitas técnicas para mostrar à pequena como poupar de tudo, desde luz até compras supérfluas. Lá em casa, com minha filha Pietra, de 8 anos, também aplico vários recursos para controlar o consumo, seja usar um papel dos dois lados até comparar preços pela internet antes de ir à loja física. A ideia é tratar do tema de forma orgânica, mostrando tudo de maneira lúdica, partindo da hora de comer e lavar a louça até as idas ao supermercado. Aliás, o “súper” é a melhor escola de finanças.

(E se este assunto deu um pouco de preguiça ou aquela sensação de “nem sei por onde começar”, lamentamos informar que talvez você também não tenha recebido de seus pais nenhum tipo de orientação financeira quando criança ou mesmo adolescente, certo? Mas não se preocupe que nunca é tarde para aprender!)

💰 DICAS para colocar em prática:

💲 Aproveite toda ida ao supermercado para explicar como funcionam as compras. Dependendo da idade da criança, se já sabe ou não escrever, você pode chamá-la para conferir o que falta na geladeira e anotar os itens na lista antes de sair de casa. Os pequenos que ainda não foram alfabetizados podem ajudar desenhando os produtos. 

💲 Chegando nas prateleiras, se a criança já tem noções de matemática, vá mostrando os preços de cada produto. Pegar dois parecidos e mostrar que um tem o número maior do que o outro, o que significa que um é mais caro ou barato. 

💲 Todo mundo sabe que até adultos fazem compras “por impulso”. Para mostrar às crianças o que será ou não comprado, uma ideia é pegar o carrinho de supermercado com dois andares. Na parte de cima, coloque tudo o que é essencial e estava na lista. No andar de baixo, os itens supérfluos. Na hora de passar no caixa, você vai avaliar junto com ele as necessidades da família e tirar o que não vai ser comprado.

💲 Por falar em pagar, vale a pena levar dinheiro vivo quando sair com seu filho. Mostrar as notas, deixá-lo entender que existe troco, contar as moedas: isso torna tudo mais concreto, indo além das transações digitais, que são invisíveis. E por favor, nunca diga aquela frase: “Não toca no dinheiro! Dinheiro é sujo!”. Sim, o papel tem milhões de bactérias, mas o álcool-gel resolve tudo (e você está livrando a criança de associar dinheiro a algo negativo).

💲 Mostre que nem tudo que traz felicidade precisa ser comprado! Passeios de lazer em lugares gratuitos são um ótimo exemplo. Há coisas que se compram... e coisas que não se compram! Quando for à Redenção, por exemplo, diga que os brinquedos do parque de diversões são pagos. E do lado de fora, os brinquedos das pracinhas são de graça. Alterne os programas com frequência (é importante ser coerente no que você está querendo passar).

💲 A partir dos 6 anos, comece a dar uma semanada. A mesada é indicada a partir dos 11 anos, devido à questão de noção do passar do tempo. O valor tem que ser dado em dinheiro e sempre vir acompanhado de registro, para a criança anotar no que gastou sua “renda”. E atenção: dar semanada ou mesada sem este controle por escrito não será produtivo!

 
por Camila Saccomori

Camila Saccomori é mãe da Pietra e jornalista especializada em Primeira Infância. Escreve conteúdos para famílias no projeto @vamoscriar. A cada 15 dias, compartilha no Bella+ dicas para criação de filhos e temas contemporâneos da parentalidade.


compartilhe