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Camila Saccomori

Um abraço (virtual) para todas as mães-solo na pandemia

Nossa colunista Camila Saccomori convida a pensarmos sobre tudo o que envolve uma separação com filhos

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Vocês que leem notícias, entrevistas, revistas de comportamento e também fuxicos em redes sociais. Não é baixo o número de divórcios durante a pandemia. Pesquisas dão conta deste aumento em 2020. Das celebridades é fácil acompanhar a novela: elas mesmas emitem comunicados para acalmar os fãs e evitar fofocas. Já nós - pessoas comuns - preferimos manter para conhecimento de poucos.

Não existe tutorial sobre "como se separar durante a pandemia". O que me leva a falar do assunto é ter profunda empatia & solidariedade a casais-com-filhos que vivenciam este processo. Se antes do covid-19 já era dolorido, agora neste pandemônio pode ser mais solitário ainda.

"Como faz para separar na pandemia tendo que fazer isolamento? Sem ganhar um abraço amigo?", me escreveu uma mãe. Essa frase me apertou a alma. Mas então eu lembrei da minha própria experiência. Foram poucos os abraços que eu realmente queria. Naquele momento, só quem já havia passado pela situação é que verdadeiramente entendeu sem julgamentos.

Há muitos fatores envolvidos quando temos filhos. A parte prática e burocrática (guarda, pensão, divisão de bens e datas comemorativas) você conta com uma assessoria jurídica competente que fará o possível para o processo não ser litigioso. Menos dor de cabeça, menos gastos, menos drama. "Embora terminar um casamento de forma pacífica e consensual seja menos traumático e mais indicado, quase nunca é possível passar por uma separação de forma 100% civilizada, principalmente no calor da ruptura, pois ninguém decide ser mãe/pai pensando em um dia ter que dividir Natal e Ano-Novo", reflete a advogada de família Aline Kopplin.

Por isso é indicado que a pessoa busque, além do aconselhamento jurídico, apoio terapêutico. "Para passar pelo divórcio da forma menos dolorosa possível e também para se reeducar para o exercício da  parentalidade separada, que é uma arte que exige muito jogo de cintura", destaca a advogada. Sim, a parte emocional é muito mais trabalhosa. Vai exigir equilíbrio, bom senso, autocontrole e - o principal - um salto de fé. Confiar na intuição. Ninguém termina um relacionamento achando que a vida será pior no futuro. O intuito é de que seja melhor!

"Não queria ser mãe solteira", me escreveu outra mãe. Ninguém casa pensando em separar, amiga, mas juntas podemos mudar esse estigma começando pelo uso do termo. Gosto muito de uma frase da atriz Samara Felippo, que ajuda a educar a internet sobre temas sensíveis. "Mãe solteira não existe. Meu estado civil não interfere na minha maternidade. O termo é mãe solo. É solo de sozinha, não de solteira. Se você não tem pelo menos 50% da divisão da paternidade, já é mãe solo.”

Assim, mães solo, que juntas a gente consiga formar nossa rede de apoio mútua (mesmo que virtual). Para dar conta da vida prática, da vida emocional e de tudo que envolve a criação dos nossos filhos sem culpa - que já seria meio caminho andado. E que a pandemia acabe logo pra gente poder reunir todas as mães que ficaram sem abraços por aí.

Desejo que você tenha com quem desabafar. E quando estiver bem cansada ainda exista amor-próprio para recomeçar.

por Camila Saccomori

Camila Saccomori é mãe da Pietra e jornalista especializada em Primeira Infância. Escreve conteúdos para famílias no projeto @vamoscriar. A cada 15 dias, compartilha no Bella+ dicas para criação de filhos e temas contemporâneos da parentalidade.


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