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Fabiana M. Machado

A fatura do seu cartão de crédito chegou! E agora?

Fabiana M. Machado dá dicas do que fazer após as compras de fim de ano


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A ressaca do Natal chegou! As festas foram ótimas ou nem tanto, mas você comprou e mostrou que pôde presentear quem você quis, gastou com roupas novas, comeu bem… Passou o cartão, usou o limite e agora chegou a fatura! Dor de cabeça na certa! O que fazer?

O que você está sofrendo é a dor de ter que pagar pelas suas escolhas. E é a hora em que você se pergunta: valeu a pena tanto gasto? Aquele chester de Natal tão suculento na prateleira do supermercado, numa embalagem linda e decorativa e você imaginando a família reunida na volta da mesa, felizes (cena de propaganda, concorda?). Tudo perfeito para você dizer: Vou levar! Vale a pena. Mas, um mês depois, na hora de pagar a conta, olhando para a fatura do cartão, que imagem você tem do bendito chester?  

Uma cliente gostava de comprar pela internet, pois sentia prazer duas vezes: na hora da compra e na hora da entrega. Era Natal em dobro o ano todo! Mas na hora do pagamento do cartão doía tanto que ela preferia não olhar a fatura e a solução foi colocar o pagamento em débito automático. Não por uma questão de organização e praticidade, mas para não estragar o prazer da compra. Uma equação meio confusa. Na verdade, uma justificativa para não ter que lidar com a realidade, mas um comportamento que já mudou!

Facilidade de comprar pela internet e de usar o cartão de crédito pode acabar prejudicando a sua vida financeira se você não souber quem está no controle, pois, em algum momento, a fatura chega e essa conta tem que ser paga. Por isso, é importante saber usar essas facilidades a seu favor e não contra você.

Mesmo que você tenha feito as compras dentro do seu orçamento, olhar a fatura também é uma oportunidade para avaliar os gastos e tomar decisões mais conscientes e saudáveis. Há sempre  o que melhorar na relação com o dinheiro. Confira o que fazer.

Gastou com o quê?

Cartão de crédito não é uma despesa, mas sim uma forma de pagamento. Então, assim como você paga os boletos de água, luz, telefone, a que se referem as despesas do seu cartão?

Alguns cartões já fazem essa separação na própria fatura, o que pode ajudar a identificar mais facilmente cada um dos seus gastos. Confira e veja para onde está indo o seu dinheiro: supermercado, restaurante, pet, salão de beleza, roupas, presentes? 

Embora as compras já tenham sido feitas e não seja mais possível evitá-las, esse é um exercício para ajudar você a ter consciência do que está gastando e, assim, evitar que as próximas compras sejam desnecessárias ou sem sentido pra você. 

Estava previsto gastar tanto com algum item específico? Era realmente necessário e importante pra você? Se for com a comida para a ceia de Natal ou em presentes para a família, já pensou em dividir a conta ou substituir por itens mais baratos? Se ainda assim não for suficiente para evitar as dívidas, já pensou em se assumir e dizer que não quer mais comprar e pensar em alternativas mais saudáveis para o próximo Natal? Melhor usar a criatividade ou ficar lembrando do bendito chester o ano todo? 

Perceba também se você não está no “automático" de simplesmente "passar o cartão". Sabe aquele hábito de “passa o cartão, depois eu vejo”? Vai custar caro! Hora de mudar!

Parcelou?

O parcelamento pode mascarar o valor real da compra, afinal é mais fácil pagar 100,00 do que 1.000,00, principalmente quando você não tem esse valor disponível. E se você fez 5 compras de 100,00, a sua mente pode permanecer ainda no gasto de 100,00: “Só gastei 100,00 com isso, 100,00 com aquilo…" Assim, você tem a sensação de que gastou pouco, que é o que você gostaria.

Mas não foi o que realmente aconteceu, não é mesmo?

Então, se você parcelou as compras de Natal e as despesas de fim de ano, some agora todas as parcelas futuras (mês a mês) e já acrescente no seu orçamento para não contar com esse dinheiro nos próximos meses. 

Sem dinheiro para pagar

Se você não tem dinheiro para pagar a fatura integral do cartão, evite pagar a fatura mínima (em razão da alta taxa de juros) e procure uma forma de conseguir dinheiro:

- Alguém está devendo algum dinheiro para você? Agora é a hora de cobrar!
- Tem algum trabalho que possa gerar uma renda extra?
- Tem roupas ou livros que podem ser úteis a alguém e gerar um renda extra?
- Um empréstimo (cuja prestação cabe no seu orçamento sem comprometer as despesas do mês) é uma forma mais barata de pagar o cartão?

Peça ajuda profissional se necessário para tomar a sua decisão. Seu esforço é necessário para que a dívida não saia do controle e comprometa a sua vida financeira pelo ano inteiro!

O seu limite

Nunca me canso de dizer que o limite do seu cartão de crédito não é aquele que vem na sua fatura ou o que aparece no aplicativo. 

O seu limite é o que você pode e está disposta a gastar, considerando o seu custo de vida: quanto você gasta para comer, se vestir, passear…

Portanto, se você vai justificar o valor da fatura dizendo que gastou “dentro do limite do cartão", não comemore e sim reveja os seus valores!

Não precisa quebrar ou evitar o uso do cartão, mas nele deve constar um bilhetinho eterno (ainda que imaginário): “faz sentido eu te usar?”

Entender o seu comportamento, ficar atenta às facilidades, tomar consciência dos seus gastos, da forma como você usa o dinheiro, faz com que o cartão seja realmente apenas um meio de pagamento. Não transfira para o cartão o benefício maior, que é ter o controle da própria vida financeira. Essa é uma responsabilidade que não é dele.

Quer saber mais? Acompanhe a minha coluna semanal aqui no Bella Mais. Vamos juntas nesta jornada!

por Fabiana M. Machado

Fabiana Mendonça Machado é especialista em comportamento financeiro. É casada, mãe de dois filhos, empresária e uma das fundadoras da MoneyMind. Escreva para fabiana@moneymind.com.br para contar se este texto foi útil para você. @fabiana.m.machado


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