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Fabiana M. Machado

Cuidado com o que deseja

Fabiana Mendonça Machado questiona se o problema é a falta de dinheiro ou o excesso de desejos

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Estamos diante da sensação de escassez e preocupados com a falta de dinheiro. Com isso, reduzimos os gastos, mas provavelmente não diminuímos a vontade de comprar. Neste momento de isolamento, que nos permite a introspecção, convido você a refletir sobre o que deseja.

Desejo é a vontade de ter ou obter algo. Somos movidos pelo desejo. Essencial, necessário, útil, supérfluo, luxo, material, imaterial. Não importa. O desejo é subjetivo, individual, depende de cada um. Satisfaz as nossas necessidades e vontades. Supre os nossos sentimentos de carência.

O interessante é que, sempre que queremos muito alguma coisa, encontramos justificativa para tornar o desejo como necessário. Racionalizamos e, assim, convencemos nós mesmos de que estamos tomando a decisão certa.

E a propaganda nos reforça isso a todo momento. Por exemplo, compre o carro do ano e tenha o  prazer e conforto que você merece. Mesmo que as prestações comprometam o orçamento e gerem estresse na família, vale a pena dirigir o carrão. Afinal, merecemos! E que coisa chata ter que pensar em dinheiro… ele acaba com os nossos sonhos e prazeres!

Será que o vilão da história é o dinheiro? Ou será o desejo?

Imagino que já tenha ouvido falar da história de Aladdin e o Gênio da lâmpada, que lhe concede três desejos. O jovem, que se apaixona pela princesa, sonha em ter uma vida com muito dinheiro, acreditando que viveria um mundo ideal, com muito mais liberdade. E assim tem o seu primeiro desejo atendido: torna-se rico.

Quem dera se tivéssemos um Gênio da lâmpada na nossa vida! Num passe de mágica e todos os problemas estariam resolvidos.

Talvez, diante da pandemia, o desejo atual e universal fosse a cura do coronavírus. E não importa o dinheiro. De fato, a nossa história mostra que todo o dinheiro do mundo não salva vidas.

E a história de Aladdin também mostra que o dinheiro não é o suficiente para mudar quem somos, principalmente se tivermos o nosso próprio valor.

Mas ainda olhamos para o dinheiro. Como se ele fosse o desejo principal e responsável pela nossa felicidade. E o culpamos por não ser suficiente para o sustento e, muito menos, para realizar todos os desejos.

Sem a lâmpada, o que nos resta, de um lado, é o dinheiro que temos. E, de outro lado, os nossos desejos. É preciso equilibrar essa conta, não apenas para evitar dívidas, mas para viver bem.

Mas, às vezes, tenho a sensação de que, embora adultos, ainda vivemos num mundo de "faz de conta”, idealizando desejos que dificilmente serão atendidos:

-   Querer ter liberdade financeira, mas gastar além do que tem;

-   Não querer se preocupar com o dinheiro de modo a ganhar sem esforço;

-   Acreditar que dinheiro compra liberdade;

-   Acreditar que despesas fixas, como moradia, alimentação, filhos, não são desejos e sim meras obrigações;

-   Acreditar que usufruir do dinheiro é apenas gastar com prazer e lazer;

-   Querer comprar algo para se beneficiar, mas assumir prestações que comprometem o orçamento e fazem lembrar todos os meses que é devedor;

-   Acreditar que cartão de crédito é renda extra;

-   Comprar no cartão de crédito sem ter como pagar a fatura;

-   Não criar o hábito de guardar dinheiro acreditando que um dia, quando sobrar dinheiro, vai guardar;

-   Ter um negócio, mas não gostar de falar de dinheiro e cobrar o cliente.

O mundo pode se transformar, mudar a forma de consumir, etc., mas o dinheiro que temos é que  vai continuar pagando a conta dos nossos desejos. Para realmente adquirir novos hábitos e lidar de uma forma mais tranquila com o dinheiro, é preciso reavaliar as concepções de valor. Caso contrário, é melhor ter cuidado com o que deseja!

Quer saber mais? Acompanhe a minha coluna semanal aqui no Bella Mais. Vamos juntas nesta jornada!

 

por Fabiana M. Machado

Fabiana Mendonça Machado é especialista em comportamento financeiro. É casada, mãe de dois filhos, empresária e uma das fundadoras da MoneyMind. Escreva para fabiana@moneymind.com.br para contar se este texto foi útil para você. @fabiana.m.machado


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