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Fabiana M. Machado

Descanse em paz…

Fabiana M. Machado fala da relação com o dinheiro na herança

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E que descanse em paz (desde que não pense nos bens que deixou aos seus herdeiros!).

Dia de finados se aproxima. O dia 2 de novembro é considerado uma data especial para muitas pessoas que se dedicam a rezar pelos que já morreram. Celebrar com respeito e gratidão aos que não estão mais presentes, sentir alegria pelos bons momentos, mas também muita saudade do ente querido. Pois bem… E se colocarmos dinheiro nessa conversa, como fica a lembrança?

Independente de crença ou religião, fato é: a vida material deixa rastros que vão além do túmulo. Com o falecimento de uma pessoa, surge o direito à herança e os seus bens (quando não há dívidas para pagar) são destinados aos seus herdeiros.

A herança é uma forma comum de transferência de patrimônio. Esperada ou não, com muitos ou poucos bens, a herança muda a vida de quem a recebe. A princípio, o dinheiro (em espécie ou materializado em bens) vem para ajudar a família e aumentar o patrimônio. Mas sabemos que ele se torna mais um motivo de conflito do que solução.

O vilão da história passa a ser o dinheiro e não há quem fique em paz. Já viu essa cena acontecer na sua vida ou com algum conhecido? Pois é… O que as pessoas não percebem é a carga emocional que vem junto com a herança.

Essa carga emocional é percebida na divisão dos bens, quando surgem discussões entre os herdeiros. Lembranças vêm à tona e frases como “quando eu era criança, você era o preferido e ganhava o presente mais caro…” se tornam comuns. E o "maldito" dinheiro faz a família brigar… mas o dinheiro está apenas materializando os sentimentos ocultos naquela relação que já dura anos.

O conflito surge também internamente. Imagine se você receber uma herança com a obrigação de dar continuidade à fortuna já constituída de acordo com os valores de quem deixou, mas que você não concorda? O que fazer com a sua liberdade de escolher o destino dos bens? Dizem que caixão não tem gaveta, mas a sua liberdade pode ter ido junto com ele.

E se você vivia brigando com quem lhe deixou a herança? Você pode ficar feliz e se sentir livre com o dinheiro que recebeu, mas não significa que você terá bons resultados.

O fato de você não ter construído o patrimônio com as próprias mãos também pode fazer com que você não se sinta merecedora do dinheiro recebido, principalmente se você passou boa parte da vida ouvindo que não era capaz de gerar ou conservar aquilo que recebia.

Por outro lado, quando o dinheiro vem associado à dor pela morte de uma pessoa querida, com a qual você se dava muito bem, é possível que você não se permita usufruir ou investir desse dinheiro e acabe se livrando dele o quanto antes.

Então, se você quer entender o motivo das suas decisões financeiras e gastos e como lidar melhor com o dinheiro vindo da herança, é hora de tomar consciência dessas emoções e do que o dinheiro representa na sua vida. Oportunidade também para se questionar: que herança quero deixar para os meus filhos?

No meu trabalho, com mulheres que procuram entender e construir uma relação mais consciente com o dinheiro, é comum incluir no planejamento de vida “deixar um patrimônio para os filhos”.

Se você é mãe, já se perguntou qual o sentido de você trabalhar para deixar uma herança para o seu filho? Será que ele precisa de herança ou de apoio e incentivo para ter a capacidade de gerar o próprio dinheiro e realizar as próprias conquistas?

Ficar em paz com nossas escolhas talvez seja a mais valiosa das heranças.

Quer saber mais? Acompanhe a minha coluna semanal aqui no Bella Mais. Vamos juntas nesta jornada!

por Fabiana M. Machado

Fabiana Mendonça Machado é especialista em comportamento financeiro. É casada, mãe de dois filhos, empresária e uma das fundadoras da MoneyMind. Escreva para fabiana@moneymind.com.br para contar se este texto foi útil para você. @fabiana.m.machado


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