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Fabiana M. Machado

Isso é muito caro!

Fabiana M. Machado fala como a linguagem impacta a sua relação com o dinheiro

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Desde criança, ouvimos muitas frases relacionadas ao dinheiro, carregadas de mais emoção do que palavras. E, mesmo sem querer, somos capazes de as reproduzir como flechas certeiras que não erram, sem perceber o impacto estrondoso que causam na nossa vida.

Uma frase muito comum é dizer ao filho “não podemos comprar isso, pois é muito caro”. O que é caro? O parâmetro para definir algo como caro ou barato pode ser a quantia disponível de dinheiro, ou seja, um verdadeiro, embora acanhado, “não tenho dinheiro para comprar isso”.

A sinceridade na resposta poderia deixar você com vergonha de dizer ao seu filho que está sem dinheiro. Mas o ajudaria a entender a realidade e ensiná-lo que, para comprar, é preciso ter mais dinheiro, juntar, economizar, abrir mão de outras coisas e por aí vai. Sem orientação, a mensagem pode chegar ao seu filho como um “esquece, não é para você”.

Pior ainda é dizer que algo é caro quando, na verdade, não queremos comprar, o que se torna uma mentira, além de nos deixar numa situação de desconforto. Pra que mentir?

Gosto quando o meu pai define com maestria que caro é aquilo que não tem solução ou serventia. Concordo. Sou capaz de achar “caro” até mesmo um simples lápis, de poucos centavos, quando não me tem utilidade. E se for algo pelo qual não posso pagar, está resolvido.

Outra frase muito comum é que “o dinheiro não traz felicidade”. Mas compra o remédio para curar, a comida para alimentar, o cobertor para aquecer, o brinquedo para divertir, o livro para aprender… e que felicidade!

E “dinheiro é sujo!”. Em tempos de pandemia do coronavírus, essa frase é campeã. Com certeza, é importante evitar o contato como forma de prevenção dessa doença ainda sem cura, mas não deixe que o medo se torne um desejo inconsciente de se livrar do dinheiro.

E quanto à riqueza, “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus”? Pode parecer algo impossível de acontecer, mas não precisa honrar a pobreza. Apenas faça bom uso do dinheiro.

Frases como essas podem se perpetuar durante anos como verdades que comprovam uma suposta realidade, com uma visão distorcida e nada verdadeira. E, ainda que de forma não intencional, esses conceitos acabam criando padrões falsos e inconsistentes sobre o dinheiro na nossa vida.

E sem perceber ou concordar, acabamos repetindo essas palavras no dia a dia. Interessante observar como temos a capacidade de transmitir tanto a informação quanto a emoção. Comprou algo para o filho que custou bastante dinheiro vindo do seu esforço? Que bom que conseguiu comprar! Mas não precisa ficar reforçando o sacrifício dizendo isso a toda hora. Na tentativa de querer mostrar valor pelo que comprou, você pode gerar angústia pela falta.

Observe como você fala de dinheiro. É motivo de briga, ofensa e discussão? Algumas atitudes também transmitem mensagens que impactam a relação com o dinheiro. Por isso, importante avaliar se a linguagem no dia a dia causa mais ansiedade ou estresse ao lidar com o dinheiro e qual a mensagem está sendo transmitida aos filhos com essas palavras e atitudes.

Afinal, o que você anda falando sobre o dinheiro?

Quer saber mais? Acompanhe a minha coluna semanal aqui no Bella Mais. Vamos juntas nesta jornada!

por Fabiana M. Machado

Fabiana Mendonça Machado é especialista em comportamento financeiro. É casada, mãe de dois filhos, empresária e uma das fundadoras da MoneyMind. Escreva para fabiana@moneymind.com.br para contar se este texto foi útil para você. @fabiana.m.machado


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