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Fabiana M. Machado

Não é hora de se culpar

Fabiana M. Machado fala da importância de manter a serenidade para lidar com as finanças

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Em tempos de coronavírus e incertezas, todas as emoções estão potencializadas, principalmente o medo de ficar sem dinheiro para sustentar a família e pagar as contas em dia. Em seguida, vem os questionamentos: Por que não guardei dinheiro? Por que não organizei minhas finanças? Por que não economizei? Por que não cobrei aquele cliente? Por que administrei tão mal o meu dinheiro? Tantos porquês e uma só resposta: CULPA.

Mas não é hora de se culpar pelo o que fez ou deixou de fazer. Agora é hora de manter a serenidade para encontrar a melhor solução, dentro da sua realidade, sem comprometer a sua saúde mental e piorar a sua situação financeira. Sim, porque no momento de tantas emoções à flor da pele, tomar decisões com mais racionalidade exige um pouco mais de esforço mas é perfeitamente possível.

Para encarar este momento, confira alguns comportamentos que você deve evitar:

Culpar-se

Se está arrependida por não ter tido controle da sua vida financeira, aproveite o momento para entender a forma como você lida com o dinheiro no seu dia a dia.

Sem se cobrar muito, é preciso se conhecer, se autodescobrir. Tudo é aprendizado e você ficará preparada para lidar de forma mais consciente e saudável com o seu dinheiro.

Fugir da realidade

Com medo, pode vir a vontade de não querer olhar para a conta bancária e o pensamento de que não tem mais dinheiro e as contas não serão pagas. Uma tortura, que impede de enfrentar a situação e encontrar a saída, diminuindo a sua capacidade de lidar com o problema. Peça ajuda se precisar.

É importante agir, em vez de reagir. Se há dívidas ou prestações, procure negociar, suspender ou pedir prorrogação do prazo para pagar. Rever o orçamento irá ajudar a planejar a entrada e saída de dinheiro dos próximos meses, mesmo que você tenha dinheiro guardado ou a receber.

Quanto mais consciência das emoções ao lidar com o dinheiro, mais fácil assumir o controle da vida financeira e não esperar pela cobrança.  

Sentir vergonha

Infelizmente, há uma crença de que o dinheiro está relacionado a sucesso. Com isso, é mais fácil falar que está preocupada com a situação financeira porque o trabalho parou, o chefe não paga ou o negócio irá fechar. Ou seja, fatores externos irão afetar a vida.

É difícil admitir que está sem dinheiro porque não se organizou, gastou muito, não cobrou o cliente, não se importou com o dinheiro. Bate aquela vergonha, principalmente se a conta corrente está no vermelho.

Não precisa se envergonhar do motivo pelo qual está sem dinheiro. Seja gentil com você.

Reclamar da situação

Veja o que você tem e agradeça. Nesse momento, o que você menos precisa é potencializar a sensação de escassez, de que tudo irá faltar na sua vida.

Desarmonia

O momento requer harmonia e união, principalmente em família. Se você tem filhos, lembre-se de que o seu comportamento está sendo observado o tempo todo, principalmente nesse período de quarentena e isolamento social. Portanto, evite discussões sobre dinheiro e cobranças entre o casal.

Esta crise irá passar. O  grande desafio é como passar por ela, principalmente se conseguir lidar com as emoções e utilizar os recursos e conhecimento que tem. Embora o desafio seja grande, agora é a hora de colocar tudo em prática.

Talvez seja o momento de colocar as finanças nos trilhos, mesmo que de uma forma dolorosa.

Talvez seja possível sair desta mais fortalecida, sabendo resolver problemas e ter uma relação mais consciente com o dinheiro.

Talvez seja possível mudar o comportamento e, a partir de agora, organizar de vez as finanças, guardar dinheiro etc. etc. etc.

Pode ser que, com o tempo, você volte a ter o mesmo comportamento e não encontre sentido em organizar, guardar, etc. etc. etc.

Mas se conseguir enxergar que o isolamento é uma oportunidade de reavaliar os valores e encontrar sentido no trabalho, na forma como gasta e/ou investe, como e quando usufruir, verá que guardar dinheiro, organizar as finanças, economizar, cobrar um cliente, administrar bem o dinheiro será apenas consequência.

Quer saber mais? Acompanhe a minha coluna semanal aqui no Bella Mais. Vamos juntas nesta jornada!

por Fabiana M. Machado

Fabiana Mendonça Machado é especialista em comportamento financeiro. É casada, mãe de dois filhos, empresária e uma das fundadoras da MoneyMind. Escreva para fabiana@moneymind.com.br para contar se este texto foi útil para você. @fabiana.m.machado


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