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Fabiana M. Machado

Pago pra não me incomodar!

Fabiana M. Machado fala das consequências de usar o dinheiro para evitar confrontos

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O dinheiro serve pra muitas coisas. Além de ser um meio para pagar contas, é também uma forma de resolver incômodos. Quem nunca pagou para não se incomodar?

Quantos comportamentos temos no dia a dia usando o dinheiro para resolver ou liquidar de vez o assunto que nos aborrece… Nem sempre é a melhor solução, mas damos ao dinheiro o poder de pôr um ponto final. Mas a que preço? E será que resolve o problema?

Muitas vezes nem percebemos como o dinheiro é usado. Desde situações como evitar um conflito ou terminar uma discussão, até as mais simples do cotidiano, nos relacionamentos, podendo envolver, inclusive, a educação dos filhos.

Nesta coluna, listei alguns comportamentos que trazem consequências muito além dos gastos com dinheiro:

- Trabalhar e gerar renda, assumindo para si todas as despesas da casa a fim de não se indispor com o cônjuge ou para não dar satisfação do que faz com o dinheiro.

- Desejar romper um vínculo afetivo, saindo de casa, deixando pertences ou abrindo mão de discutir sobre a divisão dos bens para conseguir se livrar do relacionamento o quanto antes, geralmente, abusivo.

- Abrir mão da pensão dos próprios filhos para não se incomodar com o "ex" e acabar assumindo para si uma responsabilidade que não é sua.

Há também a situação inversa, em que o dinheiro é usado para manter o vínculo como forma de manipulação e há quem pague para não se incomodar com esse jogo.

Há situações em que o conflito é interno, como dar dinheiro para o filho, em vez de tempo e atenção, ou ceder às chantagens com o dinheiro ou presentes, em vez de educá-lo.

Deixar o filho fazer compras na cantina da escola ou no mercado próximo de casa e depois passar para “acertar”. Parece uma facilidade, mas afasta a criança da realidade e perde a oportunidade de educá-la para lidar com o dinheiro, inclusive de ensinar que o uso do dinheiro envolve fazer escolhas.

Não conseguir negar o pedido do filho para comprar algo, buscando compensar sentimentos de culpa, carência ou falta de amor.

Esconder as compras que faz, pagando o preço da mentira para não se incomodar com os comentários ou assumir as suas vontades.

Ter a guarda compartilhada do filho e, quando estão juntos, prefere pagar a conta do que for e não questionar o preço para não estragar os momentos.

Comprar presentes com preço alto (mesmo sem poder pagar ou que nem gostaria de dar) para competir, chamar atenção ou evitar opinião alheia.

Enfim, ter dinheiro para resolver os conflitos pode trazer um aparente bem-estar. Mas quem paga para não se incomodar, muitas vezes, evita encarar a realidade e resolver o que é preciso. E nem sempre fica internamente satisfeito por estar assim usando o dinheiro.

Parar de pagar para não se incomodar envolve querer se conhecer, aprofundar as relações, conversar sobre assuntos, às vezes delicados, mas que precisam ser falados e tomar decisões que estão sendo adiadas. Assim, é possível “encerrar a conta”.

São escolhas. Qual o preço a pagar? Prefiro não me incomodar! E você?

Quer saber mais? Acompanhe a minha coluna semanal aqui no Bella Mais. Vamos juntas nesta jornada!

por Fabiana M. Machado

Fabiana Mendonça Machado é especialista em comportamento financeiro. É casada, mãe de dois filhos, empresária e uma das fundadoras da MoneyMind. Escreva para fabiana@moneymind.com.br para contar se este texto foi útil para você. @fabiana.m.machado


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