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Fabiana M. Machado

Um presente de Natal: muito mais do que o dinheiro pode comprar

Fabiana Mendonça Machado relembra uma bela história de Natal

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Lembro-me daquele presente… era Natal, mas a história começou uns meses antes, quando a minha avó Rosa me ligava querendo saber o que eu gostaria de ganhar de presente de Natal. Eu tinha tenra idade, era bem criança, e, embora acreditasse na magia do Natal, sabia que não era o Papai Noel que me daria o presente, mas era ela, a minha avó querida.

Papai Noel podia não existir, isso eu sabia, mas a magia… ahhhh, essa existia! O presente tinha outro encanto, pois viria dela, minha avó. Ela se importava comigo, ligava várias vezes pra saber qual era a minha vontade e eu tinha a liberdade de escolher. E a cada ligação, aumentava a minha expectativa em relação ao presente. Eu quase não me continha de vontade de chegar logo o Natal.

Para toda criança, não há nada mais mágico do que ganhar um presente e isso o dinheiro pode comprar. E eu me lembro do presente que ganhei. Era um boneco, o Fofão, um sucesso da década de 1980, que minha avó comprou na loja de brinquedos da sua cidade do interior. Embalado para presente, com direito a fitas e laços, ele passou uma temporada embaixo da árvore de Natal. A caixa era grande e eu sabia que era pra mim. Apenas precisava esperar.

Véspera de Natal, família reunida, muitos doces e quitutes feitos por ela, minha avó. Ela era confeiteira e, com o dinheiro que recebia, sabia usar para agradar os netos e fazer um Natal especial. Sim, o que o seu dinheiro podia comprar, ela sabia usar para tornar os momentos inesquecíveis e comprar o meu presente foi um deles. Toda a família também ajudava com as despesas, mas a casa era dela. Tudo acontecia em torno dela. Tinha outro sentido.

Chegou a hora. E lá estava escrito: de vó Rosa para Fabiana. Rasgar a embalagem ou abrir com cuidado? A emoção era grande. E lá estava o Fofão. Aquele boneco me acompanhou por anos. Pra minha avó, foi um grande investimento, que rendeu muitos sorrisos e afetos.

O tempo foi passando e logo minha avó se foi. O Natal em família passou a ser diferente e eu fui crescendo e percebendo que o boneco tinha o seu valor, mas não era o mais importante da festa.

Tudo girou em torno de um presente, um desejado brinquedo que cumpriu o seu dever de alegrar uma criança, mas ele se tornou apenas um símbolo. Nós morávamos em outra cidade e a minha expectativa, desde o início dos preparativos para o Natal, era de que eu e a minha avó estaríamos juntas em breve, envolvidas num clima de alegria e muito amor.

O laço que entrelaçava e bem enrolava o presente, difícil de desatar, era o laço de amor que nos unia e eu nunca gostaria que se desfizesse. E, ao lembrar da etiqueta com o meu nome, ainda consigo imaginar ela discorrendo sua mão e desenhando umas letras meio trêmulas, formando o seu nome junto à palavrinha que a tornava única: vó.

Como confeiteira, minha avó fazia bolos, doces e biscoitos para vender e, em meio a tantas brincadeiras e correrias que fazíamos na sua cozinha, lembro-me de correr para a porta para receber suas clientes, que pagavam muito felizes e satisfeitas pelas suas encomendas. O resultado era delicioso, isso eu tinha certeza! E, de um trabalho feito com muita dedicação, vinha o seu sustento e todos os presentes de Natal que ela adorava dar invariavelmente à toda família.

Ainda me lembro do boneco que a minha avó pôde comprar pra me dar, mas acho que ela não imaginava que o presente significasse muito mais e que o seu carinho era o melhor presente que eu podia ganhar…

Tenha um Feliz Natal, com muito carinho!

por Fabiana M. Machado

Fabiana Mendonça Machado é especialista em comportamento financeiro. É casada, mãe de dois filhos, empresária e uma das fundadoras da MoneyMind. Escreva para fabiana@moneymind.com.br para contar se este texto foi útil para você. @fabiana.m.machado


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