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Gisele Silveira

Disruptores Endócrinos: descubra o que são esses inimigos invisíveis

Entenda como algumas substâncias podem aumentar nossa chance de desenvolver obesidade, câncer e outras desregulações hormonais

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Diariamente respiramos, tocamos e ingerimos substâncias que têm um impacto negativo na nossa saúde. Eles são chamados disruptores endócrinos e estão associados ao aumento da prevalência de doenças como a obesidade, infertilidade, câncer e desrugulações hormonais. Tais substâncias podem aumentar a produção de certos hormônios, diminuir a de outros e até imitar a ação dos mesmos. Podem ainda transformar um hormônio em outro totalmente diferente, interferir na sinalização hormonal, levar células à morte prematura, competir com nutrientes essenciais e, por fim, acumular-se em órgãos como fígado e tecido adiposo.

Mas como essas substâncias chegam ao nosso corpo?

Ai que está o problema. Chegam através de alimentos com agrotóxicos, através do copo plástico em que tomamos o café quente, da garrafa de água que compramos na esquina, da embalagem que envolve a comida, dos produtos de higiene que utilizamos diariamente, dos produtos de limpeza que passamos pela casa. Sim!!! Nessa ações simples acabamos nos contaminando com uma série de substâncias que entram em contato com nosso organismo e fazendo uma grande bagunça. A obesidade hoje, segundo alguns estudos, tem como uma das possíveis causas a grande quantidade destas substâncias que alteram o ciclo de hormônios responsáveis por saciedade e compulsão.

O número cada vez maior de casos de infertilidade em homens e mulheres também pode ter relação com tais elementos que modificam até mesmo a qualidade do espermatozóide.

Abaixo eu listo algumas destas substâncias e seus locais de origem:

- Solventes industriais e derivados (bifenilos policlorados ou PCB, dioxinas);

- Plásticos (bisfenol A ou BPA, ftalatos) – ou seja, biberões, copos, garrafas, utensílios, brinquedos, cosméticos carros, aviões, etc;

- Pesticidas (diclorodifeniltricloroetano ou DDT);

- Herbicidas (atrazine);

- Fungicidas (vinclozolina);

- Conservantes (parabenos);

- Alquilfenóis – encontram-se em produtos de uso doméstico e industriais.

Cuidado extra com o BPA (Bisphenol A – Bisfenol A)

Vou chamar atenção especial para um deles, o BPA, pois estamos constantemente em contato com esse elemento. O BPA é uma substância química que acaba sendo uma das mais abrangentes, por ser encontrada em todas as embalagens plásticas e produtos da indústria (corre na geladeira e dá uma olhada em quantos produtos plásticos existem por lá!). O BPA vem sendo relacionado a uma série de situações preocupantes: do câncer de mama (e outros cânceres) até problemas no aparelho reprodutivo, à obesidade, à puberdade precoce e doenças do coração. Para se ter ideia, algumas pesquisas mostram que 93% dos norte-americanos apresentam BPA em seus organismos!

O que fazer?

Como mudar de planeta não é opção, podemos ter atitudes no dia a dia que podem reduzir o contato com tais agentes... Vamos ver?

- Comprar produtos locais, de preferência orgânicos e da estação;

- Reduzir os plásticos em casa de modo geral, trocando por embalagens de vidros ou cerâmica;

- Reduzir os industrializados e consumir mais alimentos in natura (não esqueça, o que está na embalagem e dura 3 meses não é alimento mas sim produto alimentício);

- Ter bom senso, pois eu bem sei que não podemos viver em uma bolha, mas fazer escolhas diárias com consciência já pode reduzir, e muito, nossos riscos de exposição.

A partir dessas dicas, dá uma olhada no seu dia a dia e veja como é possível reduzir esses agentes de infecção. Seu organismo agradece!

por Gisele Silveira

Gisele Silveira é mãe da Antônia e nutricionista funcional, com foco em emagrecimento e hipertrofia, infertilidade e envelhecimento saudável. Escreve semanalmente para o Bella+ com a missão de desvendar os segredos da alimentação saudável. @giselesilveiranutri


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