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Gisele Berardi

Você sabe o que é dieta cetogênica?

Gisele Berardi te explica o que é cetose e como sua alimentação influencia nesse processo

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O assunto da coluna dessa semana é especial. Ele foi escolhido pelos leitores que me seguem no Instagram. Fiz a enquente entre dois assuntos: suplementação de vitaminas ou dieta cetogênica. O preferido foi a segunda opção e, portanto, hoje vou explicar as bases para esse tipo de dieta.

Afinal, o que é cetose?

Cetose é o nome dado ao processo de liberação de corpos cetônicos que acontece em decorrência da lipólise, ou seja, quando se está queimando gordura como combustível.

Essa mudança no comportamento da queima de gordura, tende a reduzir os níveis de gordura corporal até três vezes mais rápido, além de favorecer o aumento da massa muscular e desacelerar o envelhecimento. Se um corpo não está queimando gordura, ele está queimando glicose. Quando colocamos muita glicose no sangue – ou seja, quando comemos muitos carboidratos – a insulina converte e armazena esse excesso de açúcar em gordura e, como consequência, ganhamos peso.

Porém, ao mantermos a ingestão de carboidratos baixa, estamos limitando a disponibilidade de glicose e forçando o corpo a valer-se da gordura dos alimentos e da gordura armazenada. Assim acontece o emagrecimento.

Dentre os benefícios da dieta cetogênica está a saciedade. Ao produzirmos corpos cetônicos, a fome diminui drasticamente. O corpo não só pode utilizar energia a partir da queima de gordura, como essa energia é mais eficiente que aquela obtida da glicose. Os estudos mostram que, tanto o cérebro, quanto o coração, têm sua performance melhorada em 25% quando “movidos” à base das cetonas, nome dado às gorduras após sua decomposição em moléculas especializadas.

O beta-hidroxibutirato (beta-HBA) é uma dessas cetonas, sendo considerada um supercombustível para nosso cérebro e, em um estudo realizado na Faculdade de Medicina de Harvard, foi capaz de proteger células neurais contra toxinas associadas a Parkinson e Alzheimer.

Como entrar em cetose?

Para começar a produzir corpos cetônicos e emagrecer, você precisa consumir muito mais que os 30% de gordura recomendados na tradicional pirâmide alimentar.  Ela deve representar 50% ou mais da refeição. Portanto, não basta aquele fio de azeite de oliva sobre a salada. Os carboidratos devem ficar restritos, não ultrapassando 30% das calorias do cardápio diário. E a proteína pode se manter nos percentuais normais.

Ou seja, para realizarmos esta dieta, não basta encher o prato de carne e bacon. É importante que a gordura seja de boa qualidade, assim como é importante manter um consumo adequado de vegetais a fim de proporcionar um perfil anti-inflamatório à dieta.

Nas primeiras semanas, corre se o risco de enfrentar efeitos colaterais desagradáveis como dor de cabeça, prisão de ventre, mau hálito e fraqueza. Isso é temporário, o corpo se adapta e logo esses efeitos somem.

Historicamente, já fazíamos cetose

Isso não é nenhuma novidade para nosso metabolismo. Antes do surgimento da agricultura havia várias ocasiões em que a comida escasseava e o ser humano precisava poder queimar a própria gordura quando necessário para continuar vivo.

Provavelmente passamos boa parte da evolução da nossa espécie queimando gordura e não glicose como combustível.

Assim como em outras estratégias nutricionais, o recomendado é que a dieta cetogênica seja acompanhada por um profissional habilitado, para que tenha eficácia e segurança. Portanto procure sempre um nutricionista.

por Gisele S. Berardi

Gisele Silveira Berardi é mãe da Antônia e nutricionista funcional, com foco em emagrecimento e hipertrofia, infertilidade e envelhecimento saudável. Escreve semanalmente para o Bella+ com a missão de desvendar os segredos da alimentação saudável. @giselesberardi


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