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Laura Gluer

Bach e Casa Cor: oportunidades para um bom café

A bebida, que já foi considerada veneno para as mulheres, une experiências únicas e deliciosas

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Nem sempre foi fácil ser mulher e gostar de café. No século XVIII, o hábito de consumir a bebida era restrito aos homens e chegou a ser considerado um “negro veneno” para as mulheres. O músico Johann Sebastian Bach criou uma opereta sobre o tema. Felizmente, o consumo do café só se expandiu de lá para cá e vivemos hoje a chamada “terceira onda do café”, voltada, cada vez mais, à experiência sensorial em torno da bebida.

Apreciar um bom café é também uma experiência estética, por isso convidamos você a conhecer o charmoso Café Yard, na Casa Cor 2019. Seus cafés e delícias poderão ser conferidos até o início de setembro.

Terceira Onda do Café

Para se entender o momento atual do café no mundo é preciso voltar um pouco no tempo. Em meados do Século XIX, teve início o que mais tarde foi denominado a Primeira Onda de Cafés, caracterizada pela massificação do consumo da bebida, notadamente nos supermercados. Apesar da baixa qualidade do café, inovações tecnológicas começaram a surgir do investimento das grandes empresas, tais como a embalagem a vácuo e o café solúvel. No final da década de 1960, como uma reação à baixa qualidade do produto e empurrada pelo crescente interesse do mercado consumidor sobre a bebida, nasceu a Segunda Onda de Cafés, com a proposta de gourmetizar o consumo de café.

Em meados do ano 2000, quando a expressão Third Wave of Coffee foi cunhada, um movimento de cafeterias passou o foco para a excelência do produto, consolidando a ideia de apresentar o café como uma grande experiência artesanal. Informações como notas sensoriais, origem, altitude, cultivo e método de processamento ganham relevo, algo paralelo ao terroir dos vinhos. A Terceira Onda não se preocupa apenas com a qualidade do produto em si, mas com a experiência de quem consome a bebida.

Café com clima francês na Casa Cor

Um café que resgata a sensação de nostalgia de um pequeno café/bistrô parisiense e oferece delícias aos visitantes da Casa Cor 2019. Assim é o Yard Café, com operação da Mule Bule Gastronomia. Caroline Moretti, chef líder do Mule Bule, criou um cardápio baseado na gastronomia francesa com seus baguetes gratinados, crepes suzetes, éclairs e pratos que saltam aos olhos e se destacam pela apresentação e sabor. Além dos tradicionais espressos e cappuccinos, a cafeteria conta com bebidas extraídas pelas prensas francesas – sistema que dá origem a um café de raro sabor.

A 28ª edição da Casa Cor RS está aberta à visitação até 8 de setembro, no antigo prédio do Hospital da Criança Santo Antônio, na região do 4º Distrito de Porto Alegre, com 49 ambientes assinados por arquitetos e designers de interiores com atuação no mercado gaúcho.

Bach e o café

Você sabia que o músico alemão Johann Sebastian Bach compôs uma mini-ópera em homenagem ao café? A Cantata do Café (Kaffeekantate) é uma obra cômica apresentada entre 1732 e 1735 na Kaffeehaus de Zimmermann, em Leipzig, considerada uma das primeiras cafeterias da Alemanha (o café chegou à Alemanha em 1670). A ópera narra a história de um pai preocupado porque sua filha Lieschen cedeu à nova moda de tomar café. Para dissuadi-la do hábito, o pai propôs a ela encontrar um marido. Lieschen então aceita a ideia com entusiasmo, mas seus planos logo são revelados: o contrato matrimonial preverá que ela possa tomar café sempre que lhe apetecer. A obra estimula e faz uma crítica ao movimento existente na Alemanha na época para impedir o consumo do café pelas mulheres. Na época, acreditava-se que o “negro veneno” pudesse causar descontrole e esterilidade.  Felizmente, tudo isso foi superado e o consumo de café foi liberado para todos. Nos dias de hoje, vale ouvir esta ópera tomando um espresso ou filtrado.

por Laura Gluer

Laura Glüer é jornalista, executiva no mercado da comunicação corporativa e professora universitária. Mãe da Sophia e namorada do Alexandre. Ama conhecer cafeterias e aprender mais sobre a bebida. Coffee lover assumida, comanda o Café Combustível e escreve quinzenalmente no Bella Mais.


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