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Madeleine Muller

Mudanças à vista!

Marcas de moda e beleza tomam medidas em prol da sustentabilidade do planeta

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A indústria da moda é tida como a segunda maior poluidora mundial, mas a da beleza e cosméticos não fica muito atrás. Uma das marcas que sempre apostou nas questões de diversidade corporal, pregando a real beleza e utilizando em suas campanhas mulheres de biotipos normais, sem a pressão estética do padrão top model, inatingível para a maioria das mulheres, vem investindo em sustentabilidade. A Dove acaba de lançar um novo projeto para ajudar na conscientização de seus clientes e incentivar a reciclagem mundial. A marca de propriedade Unilever instalou uma máquina de venda automática na Grand Central Station, em Nova York, que aceita embalagens de plástico usadas em troca de um sabonete Dove Body Wash corporal, um dos mais populares da marca. Palmas para a iniciativa! Não resolve tudo, face ao tamanho do problema, mas já é um começo porque engaja também o consumidor a fazer a sua parte, incentivando a reciclagem como uma das formas de reduzir os impactos negativos traduzidos na quantidade alarmante de lixo plástico que já estão nos oceanos. A meta é lixo zero e reaproveitar tudo.

A própria instalação, chamada “Proud Of What We’re Made Of”, foi construída de uma maneira mais sustentável do que outras que já existiam no mercado. Sua estrutura é feita de madeira e alumínio, enquanto a automatização é alimentada por uma bateria de íons de lítio com carga solar. No ano passado a empresa já havia anunciado que começaria a utilizar somente plásticos reciclados em suas embalagens. Com a mudança, suas emissões de CO² serão reduzidas em 27.265 toneladas por ano. A ação faz parte do compromisso que a Unilever firmou com o meio ambiente de reduzir pela metade o uso de embalagens plásticas até 2025. Espontaneamente? Não. Coincidentemente com o anúncio acima, a marca apareceu na lista das 10 marcas mais poluidoras do mundo no quesito plásticos, fato que acionou o gatilho para repensar suas embalagens

Nada é por acaso... Veja o estudo abaixo:

Por ocasião do Dia Mundial da Limpeza, em 21 de setembro de 2019, indivíduos e organizações de todo o mundo mobilizaram as suas comunidades para realizar limpezas e auditorias de marca para manter as corporações responsáveis pelo uso extensivo de embalagens de plástico de utilização única. Os voluntários – 72.541 em 51 países – recolheram 476.423 resíduos de plástico, 43% dos quais marcados com uma marca de consumo clara, tendo catalogado quase 8.000 marcas para esta auditoria global. Após análise dos dados, a Break Free From Plastic identificou os 10 principais poluidores globais de 2019. Assim, a Coca Cola lidera o ranking, seguida da Nestlé e PepsiCo a partilharem o pódio. Entre os outros 10, estão Mondelez International, Unilever (empresa que detém a marca Dove), Mars, P&G, Colgate-Palmolive, Phillip Morris e Perfetti Van Mille.

A lista de “Top Polluting Brands”, revela que o primeiro lugar da Coca-Cola foi atingido devido às 11.732 peças de plástico encontradas em 37 países, com as 4.846 peças da Nestlé, em 31 países, e as 3.362 peças, em 28 países, da PepsiCo. a ditarem o restante Top 3, respetivamente. Os outros lugares são ocupados pela Mondelez International (1.083 peças, em 23 países), Unilever (3.328 peças, em 21 países), Mars (543 peças, em 20 países), P&G (1.160 peças, em 18 países), Colgate-Palmolive (642 peças, em 18 países), Phillip Morris (2.239 peças, em 17 países), e Perfetti Van Mille (1.090 peças, em 17 países).

Entre o plástico recolhido, 43% tinha marca, enquanto 57% não estava identificado com qualquer marca ou insígnia. “A maior parte do que encontramos era de plástico sem marca, produzido por empresas – quase 8.000, para sermos exatos”, refere o relatório. “Incluímos intencionalmente esse plástico ‘sem marca’, porque essas empresas poluidoras não são chamadas à responsabilidade por tempo demais e não vamos mais permitir isso”, advertem os responsáveis da Break Free From Plastic, salientando que “se o rótulo da marca ainda existe ou não, a responsabilidade desse fabricante permanece”. Embora indique que são inúmeras as companhias que já desenvolvem políticas anti-poluição e de redução no uso do plástico de utilização única, a organização admite que “estes esforços não são ainda suficientes, dadas as exigências dos consumidores”.

E a conclusão é simples: Não é mais aceitável que empresas continuem a lucrar, despejando no mercado plástico tóxico de uso único e esperar que comunidades e governos locais arquem com o fardo. Até que as empresas realmente se comprometam e adotem soluções reais, continuaremos a encontrar esses plásticos em oceanos, cursos de água e comunidades em todo o mundo, por muitas gerações. A hora de agir é agora. E também depende de nós, consumidores!

Fontes: www.trendwatching.com e www.abilways.com

por Madeleine Muller

Madeleine Muller é produtora, professora no curso de Design de Moda da ESPM, stylist e mãe da Alexia e do André. Pesquisa o consumo consciente da moda e é autora do livro Admirável Moda Sustentável. Escreve quinzenalmente para o Bella Mais. Acompanhe seu dia a dia pelo Insta: @Madi_muller


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