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Mariana Klein

Carreira não linear: você está preparada?

Mariana Klein fala sobre como a jornada profissional das pessoas está mudando

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Há algumas semanas chegamos a um ponto único da nossa jornada. Entramos em um túnel e simplesmente não sabemos o que há no fim dele. Quando sairmos lá do outro lado é possível que muita coisa mude. Ou melhor, muita coisa vai mudar. Não tem como negar.

Nesses dias de isolamento social você já deve ter observado que mudaram seus hábitos de consumo, alimentares, de ingestão de bebida alcoólica. Perguntei para amigos e todos me relataram que agora as compras são de comida, produtos de limpeza, pijamas (quem pensou que poderia precisar investir em roupa de ficar em casa, né?) e a eventual garrafa de vinho.

Por outro lado, algumas pessoas relatam que talvez tenham sido apressadas ao dizer sim para aquela proposta de casamento, já que ao conviver 24 horas por dia com o parceiro percebem que não se aguentam mais. Pessoas descobrem que dá trabalho fazer limpeza e comida todos os dias. Outras percebem como curtem a sua própria companhia e, de acordo com relatos que me chegam via Twitter, tem uma turma que daria tudo para poder ter um encontro caliente nesses dias. Em meio a todas essas coisas, que parecem banais, mas terão grandes impactos daqui alguns meses, começa a surgir a preocupação com o emprego, freelas ou com sua própria empresa. E se eu for demitida durante a pandemia? E se todos meus clientes cancelarem contratos? E se meu negócio falir?

O medo é real. E completamente natural que tenhamos medo, afinal, entramos todos juntos em um túnel que não sabemos como termina. Mas, mesmo sem saber o que tem do lado de lá da pandemia, precisamos nos preparar para as possibilidades. E é aí que entra a carreira não linear.

No que você se formou? Você trabalha na mesma área de formação?

Se eu fizesse essa pergunta há uns 10, 15, 20 anos, a resposta seria que sim, trabalho na profissão para a qual me formei. Hoje já temos um cenário diferente. Convivo com várias pessoas que trabalham em coisas que não têm nada a ver com suas formações e encontraram sucesso pessoal e financeiro nesses "desvios". E por que as aspas? Porque eu considero que a carreira linear como conhecemos está prestes a acabar. 

Fiz uma enquete no Instagram da Petit (@petitescola) e 40% dos respondentes me disseram que não trabalham na profissão para a qual se formaram. Considero esse número grande, até porque quem faz faculdade investe muito tempo e dinheiro para aprender tudo de uma área. Jogar tudo isso para o alto não é fácil, mas às vezes necessário.

Neste período de isolamento quero te convidar para um exercício de reflexão sobre o que pode estar por vir. É simples. Basta se perguntar:

- Quais são minhas habilidades?

Não quero que você liste as coisas técnicas que você sabe fazer, e sim as coisas práticas. De repente você é boa em negociar com pessoas, em ouvir os outros, em traduzir ideias em planejamentos, em fazer pão, em cuidar de plantas, enfim. O que você sabe fazer além da sua profissão?.

- O que eu gostaria de aprender?

Novamente, vale aprender a tricotar, cozinhar, falar em público, etc.

- Se o que eu faço desaparecesse da face da Terra hoje, o que eu poderia fazer para me sustentar?

Assustador, né? Mas o cenário terrível pode nos ajudar a ver tudo com mais clareza.

Para te inspirar, vou te apresentar dois projetos de mulheres que deram esse passo de transformar habilidades em negócios. 

Uma delas é a Cris Trinca, da Mustela Laboratório Criativo (@experiencia.mustela). Ela é bióloga formada, mestrada, doutorada, mas decidiu abraçar o lado criativo da vida em uma pequena empresa que produz coisas lindas (de luminária aos sapatinhos de bebê mais fofos do mundo). E a outra é a Bianca Russo, que é arquiteta em sua faceta mais conhecida, mas aproveita suas habilidades de desenho em uma iniciativa de jóias (@biancarusso.atelier).

E você, o que poderia fazer hoje se tivesse que mudar de área?


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