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Mariana Klein

O Dunning-Kruger e os pitacos sobre nosso trabalho

Mariana Klein comenta sobre aquela situação em que o sobrinho do cliente quer dar pitaco no seu serviço

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Você pode nunca ter ouvido falar do Dunning-Kruger, mas é bem possível que você já tenha vivido os efeitos dele. Vou dar um exemplo e vamos ver se você já passou por algo assim. 

Vamos supor que você trabalhe com marketing digital, respira marketing digital o dia inteiro, lê a respeito, estuda a respeito, ensina a respeito. Um belo dia você vai a uma reunião na empresa de um dos seus clientes e ouve o clássico: “Meu sobrinho (esposa, filho, amigo, funcionário de qualquer departamento que não tem nada a ver com marketing) sugeriu que mudássemos toda a nossa estratégia. Ele leu que se fizermos essa mudança podemos ter um aumento de 150% nas vendas”.

E então, reconhece a situação? Por incrível que pareça, isso já me aconteceu várias vezes. Sim, não adianta ser professora da área, sempre vai aparecer alguém que traz uma solução milagrosa que consiste em jogar no lixo todo o trabalho de meses.

O conceito em questão nessa cruel realidade é o de superioridade ilusória, descrito pela psicologia social há décadas. Essa ilusão foi identificada em estudos em que os participantes eram questionados sobre suas habilidades em uma determinada área e, posteriormente, faziam testes sobre o tema em questão. O que se descobriu foi que em muitos casos, quem menos sabe mais se vangloria.

As razões são variadas, mas geralmente dizem respeito a como nos sentimos em relação ao outro. Muitas vezes, quando não dominamos um assunto, sentimos vergonha disso e a reação pode acabar sendo falar com aparente propriedade sobre algo que não temos ideia de como funciona.

Interessante, não é? Uma das palestras de David Dunning foi transformada em um vídeo que explica de forma bem clara essa questão, clique na engrenagem para ativar as legendas em português e assista:

Como lidar com isso? Com boas doses de paciência e didática. Na minha prática diária aprendi que, nesses casos, o melhor a fazer é buscar dados que explicam minhas decisões. Na maioria das vezes esses dados deixam claro quem é a especialista na sala e tudo se resolve.

Em outros casos, o ignorante da história pode ser tão incisivo (até agressivo) que o melhor caminho é colocar aquela ideia em prática para depois poder apresentar os resultados que comprovam que não tinha como dar certo.

Por fim, algumas vezes o estresse é tão grande e a pessoa ignorante força tanto a barra, que pode ser melhor se retirar (ou, como eu chamo, demitir o cliente).

Agora você pode estar se perguntando o que fazer quando você não se sente assim tão especialista em uma sala cheia de sabichões. Esse assunto eu vou deixar para a semana que vem, anota na agenda que na próxima terça-feira tem continuação.

por Mariana Klein

Mariana Klein é professora universitária e consultora de marketing digital. Comanda a Petit Mídias Sociais e divide semanalmente aqui no Bella Mais o dia a dia do empreendedorismo.


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