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Pets, os 'bebês dos millennials', com direito a terapias nos EUA

Em 2018, os gastos com mascotes alcançaram o recorde de U$ 72,6 bilhões no país

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Bess espera pacientemente o início de sua sessão de hidroterapia. Ela ficará dentro de um tanque de água um pouco mais fria que a temperatura de seu corpo por 17 minutos, o suficiente para paliar as dores que sua artrite causa. Bess é uma gatinha de 11 anos.

A felina, da raça Maine Coon e com um pequeno sobrepeso - ela está com 10 kg -, é levada todas as semanas ao Friendship Hospital for Animals, uma clínica veterinária de Washington, EUA, para acalmar as dores de suas articulações.

Além dos métodos veterinários tradicionais, a clínica oferece alguns cuidados que geralmente são usados por humanos, como acupuntura e ultrassom.

Hoje em dia, os mascotes são verdadeiros membros da família, constata Christine Klippen, uma dos 63 veterinários que trabalham na clínica, que funciona 24 horas 365 dias por ano. Especialmente para os "millennials", que se consideram pais e mães de seus "bebês peludos" e querem dar a eles todos os cuidados possíveis, explica a médica.

Nos Estados Unidos, 84,9 milhões de lares, ou seja, 68% do total, têm um pet, segundo o o diretor da associação American Pet Products (APPA), Steve King. No ano passado, os gastos com mascotes alcançaram a cifra recorde de 72,6 bilhões de dólares. A APPA espera que este ano chegue a 75,4 bilhões de dólares.

A saúde é a categoria em que os gastos mais aumentaram, já que os donos dos pets começaram a descobrir os tratamentos que têm à sua disposição. "Os cachorros passaram a ser o primeiro filho de muitas pessoas", afirma Brant Hassell, um veterinário do Hospital District Veterinary.

De volta ao Friendship Hospital, Bess caminha sobre uma esteira debaixo d'água em ritmo lento e regular. Para fazer o exercício, porém, a gatinha idosa precisa de um pouco de motivação e essa motivação se chama manteiga de amendoim.

"Somos mais seletivos com a comida quando os pets estão com sobrepeso", explica Janay Austin-Carlson, uma das funcionárias do setor de reabilitação.

15 mil dólares em diálise

A tutora de Bella, Freya Jackson, de 45 anos, diz que a hidroterapia é uma bênção para sua gata. "Depois da sessão, ela fica cansada e dorme muito. Mas, no dia seguinte, podemos ver como se move com menos dificuldade", explica.

O regime de Bella não é barato: uma sessão de hidroterapia de 20 minutos custa 89 dólares e está acompanhada de uma sessão de 15 minutos de laser a 65 dólares. Bella já segue esta rotina há um ano, e Jackson diz que manter seu pet saudável a ajuda em seus próprios exercícios. Ela explica que, como não tem filhos, pode se permitir esse luxo.

Os donos de animais tendem a ser pessoas mais saudáveis e a enfrentar melhor certas condições, como o autismo, a demência, ou as doenças cardiovasculares, de acordo com estudos do instituto de pesquisas Human Animal Bond. Ter um gato ou um cão em casa também ajuda a diminuir a pressão, faz as crianças não sofrerem com tantas alergias e melhoram a saúde mental dos tutores.

Alguns donos de pets não poupam gastos: a diálise pode custar entre 12.000 e 15.000 dólares, e o preço da cirurgia ortopédica varia entre 5.000 e 7.000 dólares.

Humanizar demais os cães pode levar a algumas práticas polêmicas, porém, e até perigosas, como impor uma dieta sem glúten ou sem grãos aos animais. A dra. Klippen alerta que esses regimes alimentares não satisfazem as necessidades nutricionais dos animais.

As autoridades americanas já começaram, inclusive, a analisar os possíveis vínculos entre essas dietas modernas e a ocorrência de doenças cardíacas nos cachorros.

AFP


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