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Consuelo Blocker: 'a moda vai ter que criar peças de verdade'

Influencer fala da relação com pequenas marcas na era das redes sociais, consumo de moda e sustentabilidade

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Ela viaja o mundo buscando tendências. A influencer Consuelo Blocker, além de uma referência de estilo para seus mais de 250 mil seguidores no Instagram, aborda em seu blog os mais diversos temas, como marketing, design, moda, gastronomia, arte, arquitetura, tecnologia e comportamento. Filha da empresária e consultora de moda Costanza Pascolato, ela já nasceu em meio ao mundo fashion e se tornou uma referência para as mulheres ao posar de lingerie aos 50 anos. Atualmente, mora na Itália.

Nesta quarta-feira, 23, Consuelo participa de um bate-papo sobre comportamento e elegância em qualquer idade. Trata-se da quarta edição do Barra em Movimento, do Barra ShoppingSul. Antes do evento, contudo, Consuelo respondeu perguntas do Bella Mais sobre os rumos da moda no cenário atual. 

Como vê as mudanças do mercado da moda nesse novo mundo digital e das redes sociais?

O mundo digital e as redes sociais deram um espaço grande ao fabricante, ao produtor, à marca menor. A gente consegue, como influencer, que fala diretamente com a nossa tribo. No meu caso, essa tribo é bem específica, uma tribo de mulheres de uma idade pouquinho mais alta, que têm um consumo mais consciente. Conseguimos dar espaço ou colocar no mapa essas marcas menores que, às vezes, respondem melhor aos pedidos, às necessidades, de um consumidor específico. Então, por exemplo, sapatos baixos funcionam muito bem, o loungewear funciona muito bem, roupas confortáveis, mas com estilo, funcionam muito bem, porque eu falo claramente com meu leitor. Eu uso sempre as peças que são de um parceiro e então a gente consegue fazer existir marcas menores. Produtos mais focados, certos, para um tipo de clientela ou de consumidor.

Você que viaja muito e mora na Itália, que diferenças percebe do consumo de moda e comportamento do Brasil em relação à Europa?

Em geral, no mundo da moda, tem um novo comportamento de consumo. Algumas culturas que estão mais acostumadas a consumir estão cansando, então a gente vê o movimento de sustentabilidade. Mas, ao mesmo tempo, quem consumiu pouco na história, hoje em dia consome um pouco mais, especialmente com o fast fashion. Mas eu acho que o comportamento em geral é meio parecido. Tem quem goste do fast fashion, busca moda através do fast fashion; quem gosta de grife, quem é muito criativo, que hoje em dia tem um grande business do brechó, veja o The Real, em Nova York, nos EUA, que é um site e tem lojas em Nova York que vende muito bem roupa pre owned, vintage ou já usado. Então o comportamento é meio uniforme quando se fala de metrópole no mundo afora e inclusive na Europa.

Com a maior preocupação com a sustentabilidade, qual vai ser o futuro das marcas de moda?

É difícil ainda dizer o futuro das marcas de moda com esse fato da sustentabilidade. Certamente tem uma nova forma de comportamento, se não abrirem novos mercados a gente vai ter um certo ponto um menor consumo porque os armários estão lotados. Mas a gente tem que entender como isso vai ser para poder sustentar a economia da moda criando peças que as pessoas usem de verdade, não só guardem dentro do armário para usar não sabe quando ou só para suprir, às vezes, uma necessidade outra e não aquela descobrir com uma roupa ou buscar seu estilo. A gente não sabe qual vai ser o futuro. A gente pode fazer coleções com menos peças, uma coisa mais focada, uma coisa mais certeira, mas também tem toda uma indústria por trás que tem que se sustentar com a venda. Então vamos ver o que que vai acontecer.


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