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Marca gaúcha é convidada para a Semana de Moda de Milão

Dona Rufina resgata a técnica da feltragem em bolsas e acessórios


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A marca de acessórios Dona Rufina nasceu da união da cultura do Pampa Gaúcho com o olhar para o mundo. A designer Luciana Bulcão, responsável pela marca, resgatou a técnica da feltragem da lã característica da região e aliou as linhas limpas e o reaproveitamento do couro para criar bolsas e sapatos únicos. O resultado desse trabalho? Com pouco mais de 3 anos, a Dona Rufina conquistou admiradores e, depois de participar da Brasil Eco Fashion Week em novembro, chamou a atenção do projeto Emerging Talents Milan (Novos Talentos), sendo convidada para participar da Semana de Moda de Milão em fevereiro.

Os organizadores do Emerging Talents destacaram o potencial de transformação social da Dona Rufina. "Enxergamos na marca uma oportunidade para demonstrar e discutir esse saber fazer que une o ancestral, o sustentável e o design de excelência na semana da moda em Milão", escreveram em carta. 

Segundo a designer, a Semana de Moda de Milão significa apresentar o produto gaúcho para um público global e contar a história do Pampa através da moda. "Desde o meu primeiro projeto na moda, busquei destacar os produtos da nossa região. Esse resultado mostra que mais do que um sucesso de vendas, a Dona Rufina pode ser um sucesso em contar histórias". 

Para concretizar o sonho de participar de uma das quatro maiores semanas de moda do mundo, Luciana está apostando no apoio do público, com uma campanha de crowdfunding. Utilizando a ferramenta Catarse, a campanha define metas e recompensas para os apoiadores. Quem ajuda pode ganhar desde acessórios confeccionados com lã até um curso de feltragem, além da oportunidade de apoiar o patrimônio cultural do Rio Grande do Sul e uma forma de arte produzida principalmente por mulheres. Segundo Luciana, esse dinheiro vai ajudar também a levar o design territorial para novos públicos e buscar novas colaborações.

Design, sustentabilidade e inovação feminina

A feltragem é uma das técnicas mais antigas para a confecção de tecidos. Suas origens datam de 600 a.C. em áreas da Ásia e da África. O processo é realizado a partir da lã de ovelhas, que é trabalhada até se tornar o feltro. No Rio Grande do Sul, essa técnica tornou-se uma das marcas da cultura local.

Pensando no processo realizado pelas mulheres do Pampa Gaúcho, Luciana Bulcão escolheu trabalhar com a lã e o couro confeccionando bolsas e acessórios com a cara da região. Segundo ela, a importância desse material está no seu potencial de cooperação. "A lã se transforma. O trabalho do artesão é uma intervenção, mas o resultado final não pode ser previsto. É uma colaboração entre artesão e material". 

A marca se fortalece ao apostar em pilares de sustentabilidade e inovação social feminina. Os acessórios confeccionados misturam a lã de origem local com o couro excedente da indústria calçadista presente no Vale dos Sinos. A primeira coleção homenageia as mulheres retratadas por Érico Veríssimo, como Clarissa e Ana Terra. Mostrando o contato com o bioma local, a marca também trabalha com colaborações para dar um destino aos materiais que sobram. "Utilizamos o couro excedente da indústria. Com os restos das bolsas, criamos os calçados e com o que sobrou, vieram os acessórios", Luciana explica.

A produção é realizada em Bagé e Lavras do Sul, região onde Luciana conheceu as artesãs que realizavam o processo durante sua pesquisa de mestrado sobre Moda e Território. "A lã estava perdendo seu valor como matéria-prima. As mulheres mais jovens já não tinham o mesmo interesse que suas avós, por exemplo, no processo", ela conta.

A designer decidiu explorar o potencial da técnica na emancipação e protagonismo feminino. Além da idealização da marca, Luciana criou um projeto social para ajudar as mulheres da região a aprenderem o ofício. Além do reconhecimento da marca, a Dona Rufina tem como objetivo fomentar a economia local e criar oportunidades para as artesãs do Pampa.


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