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Brasileira usa motociclismo para empoderar mulheres

A paranaense Bruna Wladyka vem se tornando referência no chamado Flat Track

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Se ainda não têm espaço nas principais categorias da motovelocidade mundial, as mulheres já começam a se destacar em modalidades menos conhecidas do motociclismo. No Brasil, a paranaense Bruna Wladyka vem se tornando referência no chamado Flat Track, ainda iniciante no País. No dia 13, ela vai representar o Brasil numa das principais competições do estilo, em Milwaukee, nos Estados Unidos.

No "Flat Out Friday", a pilota vai enfrentar dez competidores, sendo outras três mulheres e sete homens. Nesta modalidade, os atletas largam lado a lado e percorrem um circuito pequeno oval, de até 1,5 quilômetro. O número de voltas oscilar de seis a 25. No Brasil, os raros circuitos são de terra. Nos EUA, as motos de várias marcas, de 750 cilindradas, vão percorrer um traçado de cimento queimado.

Bruna espera terminar a sua bateria de estreia fora do país entre os três primeiros colocados para alcançar a final. "Serei a primeira mulher brasileira a disputar este tipo de competição fora do País. Estou encarando como grande oportunidade para as motociclistas brasileiras, para obter maior visibilidade e empoderamento. Quero mostrar que as mulheres podem, sim, estar envolvidas em modalidades deste tipo aqui e lá fora."

Aos 30 anos, a pilota brasileira é atleta de primeira viagem. Conheceu o Flat Track há apenas três anos ao atuar na produção de eventos de motociclismo. Formada em design gráfico, ela se tornou uma entusiasta. Entrou na academia para melhorar o condicionamento físico e treina de três a quatro vezes por semana num circuito montado em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.

A empolgação contaminou toda a família, até então avessa às motos. Chegou a convencer seu pai a se locomover em duas rodas. "Meu pai começou a andar de moto com quase 60 anos. Ele sempre diz que nunca imaginava andar de moto por incentivo da filha."

Referência no Brasil nesta modalidade iniciante, Bruna quer aproveitar a sua participação na competição nos EUA para desenvolver o Flat Track em solo nacional. Ainda pouco conhecido, o estilo está chegando ao Brasil cerca de 100 anos após surgir em solo norte-americano. As competições são poucas ainda e os praticantes não passam de 50. Tanto que ainda não é reconhecido pela Confederação Brasileira de Motociclismo.

Os dois principais centros da modalidade no Brasil estão em Sorocaba, onde a modalidade apareceu pela primeira vez no País, e Curitiba, onde moram Bruna e seus colegas pilotos. Um dos trunfos do estilo na busca por fãs e pela atenção do público em geral é uma exibição de motos chamada "Muro da Morte". Trata-se de uma versão nova, e mais ousada, do antigo Globo da Morte, atração tradicional de circo.

O "Muro da Morte" é uma espécie de ofurô gigante: uma parede de 90 graus, coberta por tábuas de madeira. Uma pequena rampa no pé do "muro" ajuda os pilotos a escalar a estrutura vertical com suas motos potentes. Eles percorrem longos trechos da parede com direito a brincadeiras diante do público. Alguns fãs mais empolgados conseguem até tocar nos motociclistas.

O Flat Track já conta com uma Liga Brasileira, embrião tanto de um futuro Campeonato Brasileiro quanto de uma federação da modalidade. A competição teve início em 2018 e deve ter até seis etapas. "Já temos etapas garantidas em São Paulo e Sorocaba. E a ideia é ir também para Belo Horizonte e Rio de Janeiro", diz Bruna.

Ao mesmo tempo em que tenta desenvolver o Flat Track no Brasil, a pilota aproveita os eventos e a competição nos EUA para divulgar uma campanha para atrair mais mulheres para o motociclismo. A hashtag #ElasPilotam, criada por Bruna, já foi citada 20 mil vezes nas redes sociais nos últimos meses.

"Foi uma forma de fortalecer o motociclismo feminino, empoderar as mulheres, aumentar a inclusão, colocando as mulheres em evidência como público consumidor num mercado dominado pelos homens. A ideia é alcançar todas que curtem o ‘life style’ das duas rodas, mesmo aquelas que não pilotam. Criamos também o slogan ‘pilote sua vida’", afirma Bruna.

A paranaense diz que o retorno tem sido positivo, vindo de diferentes cantos do País. "Mulheres do Brasil inteiro tem me dado força com mensagens nas redes sociais. Elas dizem: ‘Bruna, você esta me representando’".

O contato não é apenas virtual. Após organizar encontros regionais com outras motociclistas, Bruna vai promover o primeiro acampamento nacional exclusivo para mulheres no dia 1º de maio, em Sorocaba.

"Temos uma agenda de atividades voltadas ao empoderamento e também ligadas às duas rodas, com work shops e ações com mecânicas. Artistas que customizam motos e capacetes vão ensinar suas técnicas. Vamos ter até aulas de Flat Track. Com certeza, vamos unir o posicionamento feminino dentro da sociedade com o mundo duas rodas", explica.

Agência Estadão


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