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Resistência, insistência, cara de pau e criatividade para empreender

Essas são as qualidade elencadas por Juliana Bulha, co-fundadora e CFO da Share, para as mulheres empreendedoras

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No âmbito da comunicação, sempre se ouve falar do desgaste do mercado. São inúmeras agências disputando por poucos clientes enquanto os veículos diminuem seu pessoal constantemente. Nesse contexto, sobra espaço para quem acredita em ideias inovadoras e renovação. Juliana Bulha e seu sócio Rafael Martins enxergaram uma oportunidade para empreender investindo na qualificação de outros profissionais que também fazem parte desse mercado. 

O Share nasceu em 2013 promovendo eventos de educação em comunicação. "Percebemos uma demanda muito grande de crescimento do marketing digital, isso falando lá em 2013 - 2014 quando começamos com os eventos. A gente notou como as pessoas que trabalhavam no digital precisam cada vez mais de informações, de dicas e de ferramentas que pudessem por na prática, e logo", conta Juliana, que hoje ocupa o cargo de CFO. Atualmente, a empresa trabalha também com cursos, está presente em 20 cidades e já atendeu mais de 15 mil alunos. 

O sucesso da empresa não está apenas em sua proposta inovadora. Desde a concepção do Share, o time que integra a empresa foi capacitado para entender o funcionamentos dos diversos setores. A equipe também foi orientada para encarar os erros como parte do processo. "Durante esses seis anos a gente traçou muitas metas, estratégias, e nem todas atingiram o esperado, mas a gente sempre aprende, se renova, e fica mais atento", explica a CFO.

Uma das dicas de Juliana para quem empreende é usar da criatividade e da "cara de pau", sempre tendo cuidado com as decisões precipitadas. No caso da Share, a realização de eventos em diversas cidades pode parecer uma espécie de aposta. Para minimizar os erros, ela revela: "temos uma atenção muito especial à curadoria dos cursos e eventos e parceiros locais, o que também ajuda nessa blindagem". 

Mulher e empreendedora

Além dos desafios de criar uma nova concepção de negócio dentro da comunicação, Juliana conviveu com as barreira impostas a ela como uma mulher dentro do universo do empreendedorismo. "Vejo que a dificuldade de empreender sendo mulher está muito mais ligada a questões sociais e de aceitação do mercado do que sobre qualificação ou sucesso profissional", ela comenta. 

Empreender no mercado de comunicação, segundo a CFO, exige "resistência, insistência, cara de pau e criatividade sempre". Ela se considera uma pessoa mais reservada, por isso, vê um dos maiores desafios em negociações com terceiros. Na sua trajetória profissional, ela teve que assumir papéis que não condizem com a sua personalidade para ser ouvida. Juliana acredita que para contornar isso as mulheres não podem ter receio de se impor caso seja necessário. 

"Acho que ainda temos um longo caminho até que deixe de ser uma surpresa tão grande uma mulher comandar cargos executivos. Acho que estamos numa jornada de aprendizado, nos livrando de amarras que nos foram impostas desde sempre e que fizeram essa cultura que vivemos hoje", ela reflete sobre as oportunidades das mulheres para empreender.

por Marina Gil

Marina Gil é apaixonada por arte e cultura em todas as suas expressões. É jornalista e adora moda, vinhos e literatura. @aquammarina


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