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Tarefas domésticas ainda recaem sobre as mulheres

Para antropóloga, fato é herança histórica e cultural de uma sociedade em que a mulher ainda não tinha protagonismo

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A discussão sobre a igualdade entre homens e mulheres está cada dia mais presente nas nossas vidas. Porém, segundo pesquisa realizada pela empresa americana Gallup, essa conversa não parece ter chegado aos lares e as atividades domésticas. O levantamento mostrou que a porcentagem de casais heterossexuais que dividem igualmente as atividades domésticas é quase a mesma de 1996. 

A pesquisa foi realizada com mais de 3 mil pessoas entre os anos de 1996, 2007 e 2019. Os participantes foram questionados sobre diversas atividades, como limpeza da casa, lavar roupas, tomar conta dos filhos, cozinhar e cuidar do jardim. 

Em 62% das casa as mulheres foram apontadas como responsáveis pelas decisões domésticas. Outras responsabilidades como lavar a louça, limpar a casa e preparar as refeições, também foram atribuídas às mulheres em mais da metade dos casos. Já os homens ficaram responsável por cuidar do carro e do jardim em, respectivamente, em 69% e 59% das casas.

A tarefa de pagar as contas da casa foi a única em que os dois sexos chegaram a uma relação de igualdade, com 37% das mulheres e 34% dos homens assumindo a responsabilidade. O planejamento das atividades familiares e decisões sobre investimentos e finanças também se aproximam do equilíbrio. 

Segundo a antropóloga e coach Cris Ljungmann, esse cenário está refletido nas relações como parte da herança histórica, cultural e familiar em que as mulheres aceitam essas tarefas. A pesquisa mostra que, dentro de casa, os papéis continuam reforçando estereótipos de gênero. No Brasil, a associação do trabalho às tarefas domésticas, realizada geralmente pelas mulheres, é chamada de dupla jornada. Essas reponsabilidades podem afetar a carreira e disposição da mulher que precisa se dividir entre diversas atividades. 

Para a antropóloga, o grande problema desses casos é quando as responsabilidades recaem apenas sobre apenas uma pessoa e não existe um diálogo. "É muito particular de cada caso, da carreira, e a própria organização da pessoa. O realmente ruim não é a jornada dupla, mas a falta de opção. Pode afetar a empreendedora que precisa de tempo para construir o negócio, a empregada que precisa viajar ou maior dedicação ao trabalho para crescer na empresa", ela explica.


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