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Igualdade feminina: há motivos para celebrar, mas muito a conquistar

A luta das mulheres pela igualdade apesar de histórica, é sempre uma pauta atual

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A luta das mulheres pela igualdade de direitos é histórica, porém, esse é sempre um assunto atual. O 26 de agosto é marcado pelo Dia Internacional da Igualdade Feminina. A data foi instituída em 1973 pelo Congresso dos Estados Unidos, que fez uma homenagem aos 53 anos da aprovação da 19ª emenda, que permitiu o voto às mulheres norte-americanas. 

Tivemos avanços históricos em relação à igualdade de gênero em função de lutas importantes: direitos políticos, ampliação de cargos e ocupação no mercado de trabalho, formalização de legislações para prevenção e combate a violência contra a mulher. As Olimpíadas de Tóquio também foram um marco nesse sentido, com a maior participação feminina da história dos jogos: 48,8%. Todas as delegações que disputaram a competição tinham ao menos uma mulher na delegação. O Comitê Olímpico Internacional (COI) prevê que, na edição de Paris em 2024, essa participação chegue a 50%.

E as maiores conquistas brasileiras em Tóquio vieram das mulheres. Nossas atletas tiveram o melhor desempenho em todas as Olimpíadas que participaram. Foram nove medalhas conquistadas. Nas Olimpíadas do Rio, em 2016, haviam sido cinco. O maior número até agora vinha dos jogos de Pequim, em 2008, com sete subidas ao pódio.

Diferenças sociais

Contudo, ainda há muito a conquistar. A professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS e coordenadora do Grupo de Pesquisa Violência, Vulnerabilidade e Intervenções Clínicas, Luísa Habigzang lembra que as mulheres ainda vivenciam diferenças salariais, sobrecarga com atividades laborais e domésticas, e sofrem com atitudes sexistas. 

“A celebração é para lembrar que a igualdade de gênero precisa ser constantemente promovida, para que mulheres possam autonomamente tomar decisões, fazer escolhas e desenvolver-se plenamente, livres de situações de violência”, aponta. 

Pandemia evidenciou problemas já existentes

A pandemia não tem sido um período fácil para toda a população em geral, mas especialmente para as mulheres. Ela acabou evidenciando uma desigualdade que já existia antes. A exposição à violência doméstica é um deles. O Brasil contabilizou 1350 casos de feminicídio em 2020 - um a cada seis horas e meia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“A pandemia aprofundou problemas e escancarou vulnerabilidades, quando pensamos em relações entre gênero, raça e classe. As mulheres ficaram mais expostas a violência doméstica e familiar, ficaram sobrecarregadas com trabalho, cuidado dos filhos sem escola e das tarefas domésticas”, comenta Luísa. 

“Muitas não contaram com rede de apoio mínima para cuidado dos filhos e sem poder adotar atividades em home office, retornaram aos postos de trabalho. Em função disso, algumas tiveram que se desligar de seus empregos por não ter com quem deixar seus filhos. O número de feminicídios e denúncias de violência contra mulher também são alarmantes neste contexto de pandemia”, complementa a professora.

O que ainda é preciso fazer

De acordo com Luísa, o contexto de desigualdades e vulnerabilidades que as mulheres vivenciaram de forma agravada pela pandemia certamente tem impactos para suas saúdes física e psicológica. “É necessário o planejamento e implementação de políticas públicas articuladas nas áreas da saúde, assistência social e educação para dar conta das demandas que o contexto pandêmico gerou ou potencializou”, ressalta. 

Para a professora, também é preciso fortalecer políticas públicas para garantia de direitos das mulheres, visando a promoção de igualdade de gênero, prevenção e combate a violência. Além disso, é necessário capacitar e qualificar ações de serviços da rede de atendimento.

“Também é importante investir na educação. Crianças e adolescentes precisam aprender sobre igualdade de gênero, precisamos rever e desconstruir papéis estereotipados que colocam homens em situação de dominação e mulheres em lugar de subordinação. É preciso combater atitudes sexistas e crenças que legitimam e naturalizam a violência contra mulher”, destaca a professora. 

por Mariana Nunes

Mariana Nunes é jornalista. Ama café, praia, chocolate e futebol - não necessariamente nessa ordem. É torcedora fervorosa do Internacional e repórter do Bella Mais. @a_marinunes


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