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Empreendedorismo feminino em crescimento: oportunidade ou necessidade?

As mulheres são a maioria da população brasileira (51,4% - IBGE) e a maioria nas universidades, portanto, representam a maior parcela de profissionais com diploma

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As mulheres precisam constantemente provar sua eficiência no trabalho, mas, ainda assim, têm salários inferiores e menos oportunidades de crescimento nas empresas – segundo pesquisa da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), o salário das mulheres equivale a 73,5% da remuneração dos homens, que exercem a mesma função. Além disso, as mulheres representam 56,9% dos desempregados do país.

As mulheres são a maioria da população brasileira (51,4% - IBGE) e a maioria nas universidades, portanto, representam a maior parcela de profissionais com diploma. Entretanto, ainda encontram muitas dificuldades para conquistar cargos mais altos em empresas - das 250 maiores do país, apenas 4% apresenta mulheres entre os principais executivos.

O avanço das mulheres na carreira é mais lento do que o dos homens e entre os principais motivos estão a cultura organizacional das empresas (geralmente mais conservadoras) e a dupla jornada – as mulheres ainda são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico e, por isso, constantemente abrem mão de suas carreiras para se dedicar à família.

Assim, com poucas oportunidades nas empresas e em busca de crescimento profissional, muitas mulheres abrem seu próprio negócio – elas representam 52,2% dos empreendedores do país. De acordo com a Rede Mulher Empreendedora (RME), 53% das empreendedoras brasileiras são mães, que optam por ter um negócio próprio para ter mais tempo para a família. Os motivos mais comuns são a flexibilidade de horário, conciliar trabalho com a família, realizar um sonho e trabalhar por um propósito.

A pesquisa da RME revelou também que “Por serem mais atenciosas, as mulheres atendem melhor os clientes e tendem a ser mais honestas e assertivas que o homem. O fato de existir mais empreendedoras à frente dos negócios é um dado importante, que demonstra como o modelo feminino de conduzir um negócio está se consolidando e sendo aceito pelo mercado” – segundo Luiz Malta, coordenador de projetos da FNQ (Fundação Nacional da Qualidade).

Segundo Malta, o sucesso das empreendedoras é resultado da excelência da mulher na gestão, que é mais atenciosa com os clientes, investe mais em capacitação das lideranças e equipe, concilia melhor a vida pessoal e profissional, é mais detalhista, sensitiva e intuitiva, e consegue unir coragem, iniciativa e determinação com sensibilidade, intuição e cooperação.

Um exemplo é a GiraPiu, que foi criada por duas amigas, Adriana e Milena, que precisavam adequar suas carreiras à maternidade. A inspiração para o negócio surgiu quando um brechó infantil que as duas gostavam muito foi colocado à venda. Assim, criaram a marca sem nenhum investimento, mas com o propósito de incentivar o consumo consciente e criar uma rede de mães: “Queremos oferecer às mães um lugar acolhedor, onde os filhos têm liberdade e as compras podem ser feitas sem preocupação, sem julgamentos e com muita troca de experiências”.

O brechó é um sucesso na cidade de Campinas, já são 2 lojas e mais de 600 mães fornecedoras. Com o objetivo de empoderar mais mulheres, as fundadoras decidiram franquear a marca no final de 2019. A primeira franquia será inaugurada em breve na cidade de Valinhos e o objetivo é expandir inicialmente no estado de São Paulo.

A entrada no franchising ocorreu em 2019 com formatação do negócio pela Inova Franquias, de Campinas (SP), e desde então a marca vem sendo procurada por diversos investidores que desejam montar um empreendimento de alta lucratividade.

Para conseguir desenvolver uma carreira profissional as mulheres ainda precisam de um esforço maior, assim, há um grande caminho a ser percorrido para que ocorra essa mudança de mindset. Com o avanço do empreendedorismo feminino, o futuro é animador, mas é preciso que as mulheres tenham oportunidades nas empresas, empreender não pode ser a única forma de ter uma carreira, afinal, a minoria das mulheres tem condições de investir em um negócio e a maioria, principalmente as que são mães, têm medo de abrir mão da estabilidade e são obrigadas a aceitar condições injustas de trabalho.

Agência Estadão


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