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Os desafios de empreender em 2020

Número de empreendedores é recorde no País, mas será que eles estão preparados para comandar uma empresa?

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O ano de 2020 está perto de se tornar o período de maior surgimento de empreendedores da história do Brasil. Nestes nove primeiros meses, houve um crescimento de 14,8% no número de  microempreendedores individuais (MEIs) no país, na comparação com o ano passado. São 10,9 milhões de registros. Segundo o Portal do Empreendedor, do governo federal, foram 1.15 milhões de novas formalizações entre o fim de fevereiro, pouco antes do início da pandemia, até o fim de setembro.

A pandemia alterou o cenário do mercado de trabalho e o que vemos é que muitos desses novos negócios foram abertos levando em consideração a necessidade e nem sempre a vocação da pessoa à frente deles. Entretanto, empreender é mais do que registrar uma empresa. O ato de constituição da empresa e o exercício de administrá-la, fazem dessa pessoa um empresário, mas não necessariamente um empreendedor. E por que não? “Quando falamos de empreendedor estamos falando de um conjunto de características e comportamentos. Essas características vão além do ato de abrir o negócio, dizem respeito à proatividade, busca constante de oportunidades, inovação, criatividade, persistência e mais”, explica a analista de relacionamento com cliente do Sebrae RS, Carolina Niederauer.

A profissional destaca que todo empresário precisa olhar para si e se questionar sobre seus pontos fortes e fracos para então entender quais das suas características empreendedoras podem ser potencializadas ou desenvolvidas para que isso impacte positivamente nos resultados de seu negócio. Da mesma forma, é necessário que os empreendedores formalizem seus negócios, para que possam colocar as ideias em prática. “É comum vermos empreendedores cheios de ideias e com muita energia para fazer a coisa acontecer, porém, ele de fato somente se tornará um empresário a partir da transformação dessas ideias em um modelo de negócios viável e formalizado”, aponta.

Carolina destaca duas competências principais para o sucesso de qualquer negócio: conexão com o público alvo e adaptação. “Conexão para entender e validar constantemente qual o problema ou desejo do cliente seu negócio está atendendo; Adaptação para, quando necessário, ser capaz de transformar seu negócio e continuar gerando valor para quem compra”, ressalta.

Cenário é ainda mais difícil para as mulheres

Um estudo feito pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) em parceria com o Sebrae mostra que o número absoluto de mulheres empreendedoras no Rio Grande do Sul era de cerca de 1 mi­lhão e 40 mil, sendo que 540 mil delas empre­ende em estágio inicial.

Entretanto, quando olhamos para o universo de empresas já estabelecidas, ou seja, operando no mercado superior a 42 de meses e já tendo retirado algum lucro, a participação das mulheres cai 7 pontos percentuais em relação ao gênero masculino. Isso quer dizer que, se por um lado elas conseguem abrir novos empreendimentos, por outro, apresentam maiores dificuldades em manter essas atividades por mais tempo.  

Uma das principais dificuldades que o público feminino enfrenta ao empreender é a falta de experiência: 40% das mulheres que iniciam um negócio, empreendem sem ter experiência o seguimento. Outro ponto importante destacado pelo estudo do GEM é que, entre os que empreendem por necessidade, 54,3% são mulheres. Ou seja, o motivo pelo qual as motivou a abrir esse negócio não foi o sonho de empreender ou uma ideia potencial, mas sim a necessidade de superar o desemprego ou aumentar a renda. “Negócios nascidos por necessidade são mais suscetíveis a serem descontinuados, uma vez que a pessoa encontra uma outra forma de atender suas necessidades”, explica Carolina.

Conciliar vida profissional e pessoal é desafio

Outro fator em destaque é a questão de conciliar as vidas profissional e pessoal. “O acúmulo das tarefas domésticas, filhos, os desafios se ter o negócio próprio e a sobrecarga de trabalho acabam sendo um fator dificultador. Além disso, motivadas por fatores comentados anteriormente, mulheres tendem a ter maior dificuldade de acesso a crédito para o desenvolvimento e investimento dos seus negócios”, aponta a analista. 

Entretanto, existem maneiras para superar estas dificuldades. “Do lado de quem apoio o empreendedorismo, iniciativas têm ocorrido no nosso Estado para a promoção e apoio ao empreen­dedorismo feminino quanto à manutenção e formulação constante das políticas, estratégias e estímulo. Diversas instituições têm atuado nesse contexto como o Sebrae, universidades e organizações sociais”, afirma Carolina. 

Já do lado de quem deseja ou já empreende, é preciso estar cada vez mais atuante e colaborando para o fortalecimento do ecossistema empreendedor feminino. “Compartilhar conhecimento, experiências, conectar uma empreendedora a outra são algumas formas de superar esses desafios”, reforça. 

por Mariana Nunes

Mariana Nunes é jornalista. Ama café, praia, chocolate e futebol - não necessariamente nessa ordem. É torcedora fervorosa do Internacional e repórter do Bella Mais. @a_marinunes


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