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"Love is Blind": O amor é realmente cego?

O reality show Casamento às Cegas da Netflix propõe um experimento sobre a importância das aparência nos relacionamentos

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O novo reality show da Netflix Casamento às Cegas está dando o que falar e desde sua estreia não sai do Top 10 no Brasil na plataforma. Porém, não são só as brigas e as confusões que estão conquistando os telespectadores, o programa não têm a mesma proposta de todos os reality shows de relacionamento. Além de encontrar pares perfeitos, a série se propõe fazer um experimento questionando a célebre frase "O amor é cego". 

Os participantes do seriado são separados por gênero e confinados em duas casa separadas. Durante a primeira fase, os participantes se conhecem através de cabines isoladas onde eles têm conversas através de uma parede. Nesse momento, a ideia é que eles se apaixonem sem se verem e noivem. Após o noivado, eles finalmente se conhecem face a face e partem em lua de mel. Voltando a vida real, os participantes moram juntos e depois devem decidir se casam. Tudo isso acontece em 4 semanas. 

Durante muitos anos, a frase cunhada por Shakespeare foi interpretada como o amor não vê aparências físicas. No sentido original, a frase de Shakespeare fala sobre ignorar os defeitos e agir de maneira impensada. Segundo Carlos Henrique Kessler, professor do Programa de Pós Graduação em Psicanálise: Clínica e Cultura da UFRGS, é difícil quantificar o quanto a beleza e o contato físico serão importantes em um relacionamento. 

"Se perguntarmos às pessoas sobre as suas expectativas relacionadas a questões objetivas, como aparência e hábitos, em um parceiro e compararmos com seus relacionamentos, a discrepância é enorme. Amar nos muda", reflete. 

Além disso, Kessler destaca que a beleza não é um fator específico e não pode ser medida. Os conceitos de belo mudam entre as pessoas, sociedades e de acordo com o tempo. "Se formos olhar as representações da arte renascentista, por exemplo, as pessoas belas eram diferentes. De acordo com estudos sócio-políticos, podemos interpretar que isso tem a ver com concepções diferentes de saúde em relação a condições financeiras. A beleza não é um único estereótipo", exemplifica.  

Os relacionamentos formados no programa têm como base a conversa, sem interferências. De acordo com o psicólogo, essa forma de compatibilidade pode ser mais poderosa do que os aspectos físicos. Porém, mesmo com um convívio estabelecido e uma comunicação aberta não é possível ter garantia de sucesso em um relacionamento.

Apesar disso, dentro do espaço de um reality show interagindo na frente de câmeras, as pessoas são levadas a performar. Analisar os detalhes referentes a esse programa e ao experimento exigiria conhecer profundamente os participantes. Segundo Kessler, as imagens também podem nos confundir. "Dentro do programa, temos uma dualidade entre os participantes que conhecem seus parceiros sem nunca vê-los e a ideia de estar em frente ao público", interpreta.


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