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Relacionamentos abusivos: saiba como identificar

Psicanalista destaca alguns dos principais sinais de que uma relação amorosa pode ter se tornado abusiva

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Talvez uma das maiores dificuldades de quem se encontra uma relação amorosa abusiva está, justamente, em se dar conta de que as coisas não estão bem e que é a relação - e  não a pessoa - que enfrenta problemas. Você já viveu ou acredita que pode estar em uma relação abusiva? Bella Mais conversou com a psicanalista e doutora em Psicologia Ana Cláudia Meira, que mostrou como é possível identificar e procurar ajuda nesses casos.

De acordo com a psicanalista, não é nada fácil para quem está em uma relação com essas características reconhecer a situação. "Vivendo como uma refém, a parceira sente que depende totalmente do outro para se sentir viva e com valor. Convencida pelo outro de que 'ela' é que tem dificuldades, ela está de tal forma fragilizada que não pode perceber por si mesma que poderia ou deveria procurar ajuda", explica. 

A profissional destaca que, nesse momento, talvez sejam as pessoas do entorno que se darão conta e poderão sinalizar que as coisas não estão bem. "As amigas, os familiares, os colegas são os que primeiro estranham as ações e reações do parceiro da pessoa submetida. Na medida em que eles puderem questionar aquilo que ela mesma não consegue questionar, talvez ela possa ir, aos poucos, voltando a recuperar sua capacidade de questionar, estranhar e indagar-se", destaca. 

Contudo, Ana Cláudia lembra que, tanto os amigos, ou familiares, como um profissional devem encontrar a medida certa dos alertas a serem feitos, porque, pelo estado de desvalor e dependência cega que tem ao parceiro, é comum que a parceira se feche e passe a defendê-lo da crítica alheia.

Veja alguns dos principais sinais, de acordo com a psicanalista Ana Cláudia Meira, de que você pode estar em um relacionamento abusivo:

1. O parceiro passa a controlar as atividades e relações

O parceiro passa a controlar horários, os contatos e as escolhas da parceira, de modo a privá-la cada vez mais da liberdade e autonomia que, idealmente, deveriam ser mantidas por qualquer pessoa, mesmo dentro de um relacionamento amoroso. "Ele sente-se no direito de, por exemplo, examinar o celular e as mídias sociais da pessoa, ou regular os horários de sair e voltar. Ele, porém, faz isso de uma forma disfarçada de amor, cuidado e proteção, que deixa a parceira confusa", esclarece Ana Cláudia.

2. O parceiro passa a atacar a capacidade de 'pensar' da parceira

A partir da mensagem confusa relatada a acima, é como se o parceiro atacasse a capacidade de pensar da parceira, de modo que ela vai, aos poucos, perdendo a capacidade de ver as situações como de fato são, e de avaliá-las realisticamente. "Sem poder ter clareza sobre o que o outro está fazendo, se é certo ou errado, se é para o seu bem ou para mantê-la em um cativeiro emocional, a mulher não consegue questionar, interrogar-se ou posicionar-se sobre sair ou ficar nesta relação", diz a psicanalista.

3. A pessoa se faz questionamentos que deveriam ser feitos a respeito do parceiro 

Ana Cláudia explica que, como a mulher vai perdendo a capacidade de avaliar o outro como de fato é, os questionamentos que deveriam ser feitos a respeito do parceiro se voltam contra ela mesma. "É como se ela passasse a pensar: 'se ele está fazendo para o meu bem e porque me ama, quem está errada sou eu'", diz Ana Cláudia. 

"Deste modo, a mulher vai tendo sua autoestima devastada, passa a duvidar de seu valor e a se sentir incapaz de ter outro parceiro ou outro tipo de relação. Ela sente-se, simplesmente, sem escolha", completa.

Identificou-se com as situações acima? Procure ajuda

Identificou-se com uma ou mais situações acima? A psiquiatra ressalta que ao se perceber dentro de uma relação abusiva, qualquer momento é o momento de procurar ajuda profissional, especificamente de um psicanalista ou psicoterapeuta. "Quando mais de uma pessoa passa a apontar coisas a serem questionadas e repensadas, ou quando os sinais listados começarem a ser identificados pela pessoa que sofre deste tipo de abuso psíquico, ela deve buscar um tratamento com um profissional de confiança, pois é muito difícil sair dele sem ajuda especializada", avalia.

por Gabriela Loeblein

Gabriela Loeblein adora moda, é apaixonada pela diva Madonna e é mãe de três peludos. É jornalista e está sempre atrás de novidades em tendências e make. @gabiloeblein


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