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Dúvidas sobre autismo? Saiba mais sobre o transtorno

Psicóloga comenta o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista e aponta caminhos para os melhores tratamentos

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Talvez você já tenha assistido a algum episódio da série norte-americana “The Good Doctor”. O “bom doutor”, interpretado por Freddie Highmore, é um jovem residente do terceiro ano de Medicina. O que o diferencia dos colegas residentes e dos outros médicos do San Jose St. Bonaventure Hospital? O personagem Shaun Murphy é autista e, ao longo da série, mostra todas a suas qualidades e enfrenta diversas questões, especialmente de socialização. 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) faz parte do conjunto de transtornos do neurodesenvolvimento. A psicóloga Cecilia Tonial explica a nomenclatura: o autismo é configurado como um transtorno pelos prejuízos que causa nas diversas áreas da vida do indivíduo; o “espectro” se refere a ampla gama de apresentações que o transtorno aparece. Dentre elas, a profissional destaca as relacionadas às dificuldades de comunicação, sociais e comportamentais, que variam de intensidade, entre leve a moderada.

“Os pacientes autistas sempre têm déficit nas áreas social, de comunicação e comportamento, porém, a intensidade dos sintomas e características aparecem em diferentes níveis”, comenta. Cecilia destaca que há dois tipos de pacientes: 

- no “autismo clássico”, os indivíduos possuem dificuldades em fazer contato visual e, mesmo que façam verbalizações, não a utilizam como ferramenta de comunicação. Eles têm comportamentos repetitivos, não compreendem metáforas, têm dificuldade em se relacionar entre outros.

- no  “autismo de alto desempenho” (ou asperger, como também é conhecido), embora o paciente apresente algumas ou as mesmas dificuldades do “autismo clássico”, os sintomas são mais tênues. Este pacientes apresentam um Q.I alto e seu vocabulário é sofisticado para a idade.

Como o autismo pode ser diagnosticado? 

Realizar o diagnóstico é complexo, principalmente pelas formas variadas dos sintomas e características. “O diagnóstico é clínico e deve ser feito por profissionais especializados, que usam escalas, protocolos e questionários para obter dados específicos”, explica. Cecilia ressalta que a colaboração da família, com informações a respeito da criança e relatos da observação do seu desenvolvimento, tornam-se ferramentas essenciais para o diagnóstico precoce.

“O diagnóstico pode ser realizado já nos primeiros meses de vida da criança, mas normalmente ele acontece a partir dos 3 anos de idade. Muitas vezes os diagnósticos são tardios pois ainda há a dificuldade da aceitação por parte da família”, comenta a psicóloga, salientando que o diagnóstico precoce permite que a intervenção ocorra cedo, o que pode minimizar os sintomas do TEA. “A partir da avaliação, realizada por um psicólogo em conjunto com um neuropediatra, são feitos os encaminhamentos necessários para melhor desenvolver a criança, que geralmente incluem o acompanhamento de fono, terapeuta ocupacional, psicopedagogo”, frisa.

O papel do acompanhamento psicológico na vida do autista

Além de colaborar com o diagnóstico, a presença de um psicólogo na vida do paciente com TEA é muito importante, pois o tratamento psicológico colabora com o desenvolvimento de habilidades sociais e comunicação a partir da relação terapêutica construída entre psicoterapeuta e paciente. “Nesses encontros são ensinados e treinados diversos comportamentos. Nós usamos ferramentas específicas para este transtorno, como imagens e cartões. para psicoeducar o paciente quanto às emoções e suas manifestações fisiológicas e também para ensiná-lo sobre a função de determinados objetos e comportamentos sociais”, detalha a profissional. 

Cecilia também salienta que o treino com os pais faz parte do tratamento, pois é preciso desenvolver neles habilidades socioemocionais para ajudar e manejar com filho. “Conhecer e buscar informações sobre o transtorno é fundamental. A família pode buscar a área da psicologia para aprender a lidar com o filho ao mesmo tempo que desenvolve as habilidades para as demandas”, orienta. A psicóloga ainda lembra que existem palestras e grupos de apoio que a família pode participar, além de haver literaturas técnicas e filmes que abordam o assunto. Como a ficção reforça com a história do “bom doutor”, “é importante lembrar que o indivíduo com autismo não se resume ao TEA: ele tem toda uma esfera da personalidade e desejos, como qualquer outra pessoa e, por isso, jamais deve ser reduzido ao transtorno”, conclui.


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