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Entrada dos filhos na adolescência requer diálogo e empatia

Psiquiatra orienta pais a encararem a nova fase da criança, que começa a transformar seus interesses

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Trata-se de uma situação comum a todas as famílias. A chegada do filho à adolescência, suas descobertas e mudanças, pode se tornar conturbada e confusa para a os pais - assim como é para o jovem. Mas passar por essa fase com muito diálogo e empatia, com o intuito de se aproximar dos interesses do adolescente, é o caminho. 

A fase não é apenas de mudança de comportamento. A psiquiatra da infância e adolescência Lisiane Motta, lembra que esse período também inclui alterações hormonais. "Primeiro vão surgir os sinais de puberdade, mudanças no corpo, e em seguida começam algumas alterações sutis de comportamento", informa.

"É aquela criança que começa a mudar os interesses, a brincar cada vez menos, a ficar mais no seu mundo, não divide tantas coisas com os pais. Passa a se interessar muito mais pela turma, a querer estar mais tempo ainda com os amigos", completa. 

Alterações de humor são comuns

E, claro, todas as mudanças citadas acima também acarretam alterações no temperamento do adolescente. "Com isso vem junto oscilações mais frequentes de humor e, muitas vezes, até alteração de sono. Eles passam a ficar mais irritáveis, mais questionadores. É basicamente uma mudança de relacionamento com o mundo e com as figuras parentais, principalmente, no estilo 'como está o meu mundo e como eu vou me relacionar com ele'", explica Lisiane. 

A profissional destaca que se trata também de um momento de individuação, em que é preciso romper com as figuras parentais para então voltar de uma maneira mais madura, mais integrada a se relacionar com os pais. "Os pais entendem esse isolamento do início da adolescência como um sintoma de depressão ou comportamento opositor, mas na realidade é um movimento de introspecção necessário para a construção da identidade individual do adolescente", diz. 

"É importante para essa criança que os pais demonstrem que conseguem entender que ela está confusa em seu mundo, tendo que fazer algumas escolhas, e que eles toleram isso. É o que costuma ser o mais difícil para os pais: tolerar que os filhos crescem", avalia.

Trata-se, em outras palavras, de um momento dos pais perceberem que terão que achar outras fórmulas de se relacionar com o filho. "As relações vão mudando de entendimento, vai mudando o relacionamento. É um momento de buscar novas conexões, de buscar um novo jeito de pertencer ao mundo desse adolescente", recomenda a profissional.

Diferença entre limite e invasão

Lisiane frisa outro um ponto importante para ficar atento nesse período: o limite entre o cuidado e a invasão da privacidade. "Muitas vezes, os pais acabam abandonando os adolescentes para não invadirem. Mas é importante entenderem que existe um mundo adolescente paralelo, mas também que o adolescente sinta que existe algum controle desse mundo. Os pais têm que estar atentos e de alguma forma ter algum controle sobre celular, redes sociais, porque são ambientes em que se expõem e correm riscos", aconselha. 

Outra questão a se ficar de olho: o comportamento. "A adolescência é um processo. Você não dorme crianca e acorda adolescente. Mas pode ser uma criança que começa a fazer um processo muito abrupto, muito disruptivo. Que tinha uma turma e comeca a surgir com novo amigos. Aí os pais têm que estar atentos, tanto para transtornos mentais, de humor, de afeto, pensando em quadros depressivos e ansiosos, que soam muito comuns nesse período da adolescência", diz.

Ser pai é diferente de ser amigo

A aproximação e a empatia com os adolescentes, lembra a profissional, contudo, deve manter a relação pais e filhos. "Os pais são pais. Não podem ser amigos. Existe uma diferença entre manter uma relação de amizade com os filhos e se tornarem seus melhores amigos. Amigos estão no mesmo nível hierárquico da vida, pais e filhos não. Os pais mandam, os filhos obedecem. Esse processo de construção de regras pode ser flexível, democrático. Mas essa fronteira não pode ser rompida, senão começam os problemas", finaliza.

por Gabriela Loeblein

Gabriela Loeblein adora moda, é apaixonada pela diva Madonna e é mãe de três peludos. É jornalista e está sempre atrás de novidades em tendências e make. @gabiloeblein


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